LUÍS ALBERTO
Sim! Eu estive na FLIP, a Feira Literária Internacional de Paraty, em sua vigésima quarta edição. Caminhei por aquelas ruas históricas de pedras irregulares, onde cada esquina parece guardar uma história e cada casarão colonial convida a voltar no tempo. Passeei pelo cais, observei o encontro do mar com a aquela arquitetura secular e compreendi por que Paraty é considerada um dos mais belos patrimônios históricos do Brasil. Uma cidade que, além de preservar sua memória, respira arte durante todos os dias da feira.
Por alguns dias, a pequena cidade fluminense deixa de receber apenas turistas e passa a acolher milhares de pessoas vindas dos mais diferentes cantos do Brasil. Escritores, jornalistas, professores, estudantes, leitores apaixonados, artistas e curiosos transformam Paraty em um verdadeiro palco da cultura. É impossível caminhar pelas ruas sem encontrar alguém segurando um livro, participando de uma roda de conversa, declamando poesia ou simplesmente sentado em uma calçada, lendo enquanto o tempo parece passar mais devagar.
Foi exatamente isso que encontrei. Vi crianças descobrindo o prazer da leitura, jovens debatendo literatura, adultos emocionados em encontros com seus autores preferidos. Vi músicos espalhando acordes pelas esquinas, artistas de rua encantando quem passava e manifestações culturais que pareciam nascer naturalmente entre as construções de mais de trezentos anos.
A cidade também carrega uma forte ligação com o cinema e a televisão. Suas ruas e casarões já serviram de cenário para novelas, filmes e produções nacionais e internacionais. Caminhar por Paraty é, muitas vezes, ter a sensação de já conhecer aquele lugar, como se cada esquina tivesse feito parte de alguma história que assistimos na tela.
Prestigiei o lançamento dos livros das escritoras Janete Serralvo e Julia Serralvo, duas mulheres que demonstram, por meio da literatura, que escrever é também uma forma de eternizar sentimentos. Ver um autor apresentando sua obra é testemunhar o nascimento de um novo diálogo com o mundo. Ainda mais sendo escritoras de Mairiporã. Foi incrível!
Durante a feira vivi momentos que certamente levarei para sempre na memória. Tive a honra de ser entrevistado pela TV Globo, através do jornalista Chico Regueira, que acompanhava a movimentação da FLIP. Também encontrei o navegador e escritor Amyr Klink, cuja trajetória inspira gerações de brasileiros, e conheci a atriz Nanda Costa, uma das artistas mais queridas da televisão brasileira. São encontros que acontecem naturalmente em Paraty, onde escritores, artistas e leitores dividem os mesmos espaços, sem cerimônias, unidos pelo amor à cultura.
Voltei para casa com a bagagem mais pesada, não por causa dos livros ou pelo peso da roupa, mas pela bagagem cultural mesmo. Cada conversa, cada palestra, cada página folheada e cada sorriso encontrado pelas ruas reforçaram em mim a certeza de que a literatura continua transformando pessoas.
Meu segundo livro vem aí e participar da FLIP justamente neste momento da minha caminhada como escritor tornou tudo ainda mais especial. Saí de Paraty convencido de que livros não ocupam espaço nas estantes. Eles ocupam espaço na alma. E, durante alguns dias, tive o privilégio de caminhar por uma cidade onde a literatura deixa de estar apenas nas páginas para ganhar voz, música, cor e vida em cada rua de pedra.
Luís Alberto de Moraes – @luis.alb – Autor do livro “Costurando o Tempo – dos Caminhos que Passei”