A romaria eleitoral

EDITORIAL

A maioria dos partidos políticos já realizou suas convenções e definiu os candidatos que disputarão as eleições gerais de outubro. Alguns desses eventos reuniram figuras de destaque do cenário nacional, cercados de pompa e circunstância, enquanto outros transcorreram de forma bem mais modesta.

Encerrada essa etapa, começa a romaria dos candidatos em busca do voto onde quer que ele esteja. Traduzindo o “politiquês”, significa o fim da tranquilidade dos eleitores, que passarão a ser bombardeados por propagandas no rádio e na televisão, além das tradicionais e, muitas vezes, inoportunas visitas de porta em porta. A esse expediente costumam recorrer principalmente os candidatos estreantes, que não medem esforços para convencer o eleitor.

É justamente esse grupo de “marinheiros de primeira viagem” que percorrerá as ruas de Mairiporã empunhando bandeiras, distribuindo santinhos, utilizando carros de som e toda sorte de apetrechos de campanha, como se mantivesse algum compromisso histórico com a população da cidade.

Os eleitores, por sua vez, devem observar quais candidaturas realmente conhecem os problemas do município, acompanharam a realidade local e, nos últimos quatro anos, contribuíram com a destinação de recursos estaduais e federais. Também merece atenção quem demonstra compreender os principais desafios de Mairiporã, como saúde, educação, infraestrutura, desenvolvimento econômico e social, segurança pública e mobilidade urbana.

São esses parlamentares que, na prática, facilitam o acesso do prefeito e dos vereadores aos governos estadual e federal, contribuindo para viabilizar investimentos e soluções para demandas que afetam diretamente a população.

Eleger ou reeleger um deputado depende do número de votos recebidos. Mairiporã, como demonstrou nas eleições de 2022, possui um eleitorado capaz de garantir expressivas votações àqueles que efetivamente prestaram serviços ao município e justificam o reconhecimento nas urnas.

Com a campanha ganhando as ruas, é natural que muitos candidatos apareçam sorridentes, distribuindo apertos de mão e promessas. O eleitor, porém, não deve se deixar impressionar por visitas ocasionais ou discursos oportunistas. Mais importante do que ouvir o que é prometido durante algumas semanas é lembrar quem esteve presente ao longo dos últimos anos, acompanhando as necessidades da cidade e contribuindo para enfrentá-las.

No fim das contas, a campanha passa, os carros de som silenciam e os santinhos desaparecem das ruas. As consequências do voto, porém, permanecem por quatro anos.

Cabe ao eleitor decidir se prefere fortalecer quem já demonstrou compromisso com Mairiporã ou abrir espaço para candidatos que apenas reaparecem em época de eleição e desaparecem logo após o encerramento da apuração.

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