Ecos da eleição
EDITORIAL
O segundo ano do segundo mandato do prefeito Aladim está chegando ao fim. Esse quadro terá importância no início de 2027, quando o chefe do Executivo entrará no terceiro e penúltimo ano à frente do Palácio Tibiriçá. A questão, no entanto, vai muito além da contagem do tempo.
Fontes de alta patente da administração municipal têm comentado, reservadamente, nas últimas semanas, que o novo ano deverá trazer mudanças significativas na condução do governo, com grandes chances de alterações no primeiro escalão. Embora o assunto ainda esteja em estágio inicial, as mudanças, segundo essas fontes, deverão atingir tanto o secretariado quanto o segundo escalão do governo.
O processo estaria relacionado às eleições deste ano, nas quais o prefeito teria se sentido traído por vereadores e servidores comissionados que optaram por apoiar candidatos a deputado diferentes daqueles que, segundo a avaliação do Executivo, foram fundamentais para o encaminhamento de recursos a Mairiporã.
A divisão política que se evidenciou após a abertura das urnas facilitou a vida de candidatos de fora, alguns dos quais alcançaram votações expressivas, entre eles dois influenciadores digitais que, segundo as informações disponíveis, sequer tinham presença política na cidade. Na avaliação do prefeito, sua administração ainda tem dois anos pela frente, e a previsão orçamentária municipal, por si só, não é suficiente para atender às demandas da população.
A dependência de emendas parlamentares continua sendo um fator importante. O resultado eleitoral, porém, mostrou que alguns dos parlamentares que destinaram recursos expressivos ao município receberam, em contrapartida, poucos votos.
Outro aspecto que merece atenção diz respeito ao futuro político de Aladim após o encerramento de seu mandato, no final de 2028. As mudanças na estrutura administrativa também poderão refletir as articulações que o prefeito pretende fazer para manter sua influência política e definir os próximos passos de seu grupo.
Em resumo, as alterações anunciadas nos bastidores poderão resultar no conhecido pé no traseiro para integrantes do governo que perderam espaço ou deixaram de corresponder às expectativas do chefe do Executivo.
Os reflexos também poderão ser sentidos na composição política da Câmara Municipal. Vereadores poderão ser convidados a integrar o secretariado, enquanto outros, hoje próximos ao governo, poderão perder espaço de forma definitiva. Como já observado em outras oportunidades, 2027 deverá marcar o início da consolidação dos grupos que disputarão espaço na situação e na oposição, de olho nas eleições municipais de 2028.
Nunca é demais lembrar que a atuação política de um vereador, especialmente quando depende de obras, serviços e recursos destinados aos bairros, sofre influência direta das decisões do Executivo. Quem pretende disputar a reeleição terá de avaliar os riscos de suas escolhas: apostar na própria força eleitoral ou compreender que, na política municipal, a relação com o prefeito e com os grupos que detêm o poder pode pesar tanto quanto o trabalho realizado junto à população.
A eleição deixou recados que dificilmente passarão despercebidos no Palácio Tibiriçá. Resta saber se as mudanças previstas servirão apenas para reorganizar as forças políticas do governo ou se também resultarão em uma administração mais afinada com as necessidades da cidade. Afinal, a distribuição de cargos pode resolver problemas internos, mas não substitui a obrigação de governar para a população.