José

“A virtude se forma pelo hábito de fazer o bem.” (São Tomás de Aquino)

Dias atrás estava preparando uma palestra que vamos ter essa semana com o tema José. Achei que seria apenas mais uma história conhecida, mas, conforme fui pensando sobre a vida dele, percebi algo interessante: José não é apenas um personagem famoso.

Basta olhar ao nosso redor. Quantas pessoas nós conhecemos que se chamam José? Na família, no trabalho, entre amigos. É um dos nomes mais encontrados que existem. Talvez porque, ao longo do tempo, esse nome tenha passado a representar algo muito maior do que uma simples figura histórica.

José ficou conhecido como o pai adotivo de Jesus. Um homem simples, trabalhador, que assumiu a responsabilidade de cuidar de uma criança. Fez isso sem alarde, apenas vivendo sua missão com seriedade. Isso também nos lembra quantos pais adotivos existem hoje mostrando, todos os dias, que o amor muitas vezes nasce da decisão de cuidar.

Mas talvez o maior ensinamento de José esteja em outra coisa: sua presença.

José não deixou grandes discursos. O que ficou foi seu exemplo de vida. Foi marido, pai, trabalhador e cidadão que viveu do próprio esforço. E às vezes é justamente aí que está a verdadeira grandeza.

Quantos “Josés” encontramos todos os dias? Tenho certeza que você vai lembrar de alguém: do seu pai, seu avô, um grande amigo ou alguém que você tenha muito carinho e admiração. Homens que acordam cedo, enfrentam trabalho duro, responsabilidades e preocupações, mas seguem firmes porque sabem que alguém depende deles. Pais que educam mais pelo exemplo do que pelas palavras. Pessoas que sustentam suas famílias com trabalho, paciência e compromisso.

José poderia ter escolhido caminhos mais fáceis quando surgiram dificuldades em sua vida, mas escolheu permanecer. E permanecer, hoje em dia, é algo cada vez mais valioso. Existe também um símbolo antigo ligado a ele, a chamada escada de São José, que representa perseverança. Uma escada se sobe degrau por degrau. A vida também é assim: muitas adversidades, grandes batalhas e enfrentar desafios exige constância.

Talvez por isso o nome José esteja tão presente em nossas vidas. Porque ele lembra pessoas discretas, porem fortes, responsáveis e presentes, que sustentam muito mais do que aparece.

Reflexão – O exemplo de José continua atual justamente por isso. Ele nos lembra que muitas das coisas mais importantes da vida não precisam de palco, mas de compromisso, presença e responsabilidade. E talvez seja justamente aí que esteja seu maior ensinamento: viver com simplicidade, assumir aquilo que a vida coloca em nossas mãos e seguir, degrau por degrau, fazendo o melhor possível todos os dias.

 

 

 

Raphael Blanes: Servidor Público Municipal, formado em Filosofia, Gestão em Saúde Pública, Técnico em Vigilância em Saúde com ênfase no Combate às Endemias, Gestão Hospitalar, Saúde Única (One Health), RH e Desenvolvimento de Equipes e graduando em Psicologia. Instagram: @raphaelblanes – Email: blanes.med@gmail.com.

Posts similares

  • Primeiros dias II

    Nem tanta ansiedade, nem tanto medo, nem tanto pavor. Dessa vez, os sentimentos estavam mais moderados. Contudo, isso não significa que eles não estavam lá. Os primeiros dias em um novo trabalho podem se comparar aos primeiros dias em uma faculdade ou escola. Isso porque em todas essas situações você tem seu primeiro contato com…

  • Chuva

    Odeio o barulho da chuva. Mais do que não gostar da chuva em si, não gosto do barulho que ela faz. Quando começa a chover, é automático: fecho portas e janelas para abafar o som. Inconvencional, alguns diriam. Tem quem goste do barulho da chuva, tem quem diga que ele ajuda a dormir. Eu não…

  • Estojo

    Uso o mesmo estojo faz quatro anos. Ele já foi limpo, cheio. Hoje tem marcas. Lembro do primeiro dia, ele leve, vazio. Gostei da cor, um verde que combinava com o forro da mochila, que combinava com a capa do caderno. Claro, quase neon. Se foi a mochila, se foi o caderno, o estojo continua….

  • O Cortiço

    RAPHAEL BLANES “A vida é relação.” (Martin Buber) Toda geração gosta de acreditar que superou o passado. É uma ilusão confortável, quase terapêutica. Aluízio de Azevedo, ao escrever “O Cortiço”, em 1890, não estava apenas descrevendo um casarão decadente na Rua de São Diogo, cercado de barracões amontoados, onde vidas se misturavam sem escolha. Ele…

  • Metamorfose

    “Existir é ser olhado.” (Franz Kafka) Foi relendo “A Metamorfose”, livro que meu filho Gabriel trouxe como leitura solicitada no colégio dele, que me vi novamente mergulhado nas páginas densas de Franz Kafka e nas inquietações que essa obra desperta. À primeira vista, trata-se apenas da história de Gregor Samsa, um homem comum que acorda…

  • Algodão

    Para quem não sabe, adotei recentemente dois cactos, aos quais nomeei como Clarissa e Isabella. Por alguma coincidência do destino, algumas outras plantas entraram em meu caminho. Acontece que comprei um produto e com ele veio um cartãozinho que carregava algumas sementes – sementes do quê, eu não sei. Mesmo assim, plantei. Primeiro em algodão,…