Traição e traidor

Uma das muitas frases do ex-governador Leonel Brizola serve para ilustrar o momento da política em Mairiporã. Dizia Brizola: “A política ama a traição, mas abomina o traidor”. O comportamento de alguns políticos locais também enseja a lembrança de outra fase famosa, de Nicolau Maquiavel: “Na política, os aliados atuais são os inimigos de amanhã”.
Claro que não se pode ser hipócrita a ponto de não perceber as flutuações dos políticos na maré cheia e na maré baixa. E nunca se pode esquecer que trazem nas mãos, extremidades dos braços com que abraçam, ora calorosas palmadas, ora afiados punhais.
A história está repleta de exemplos: Judas Iscariotes moveu-se a troco de 30 dinheiros em prata. Depois, num arroubo de consciência, pendurou-se numa corda. Antes disso, Júlio César, no auge do Império Romano, quando entrava no Senado, foi 23 vezes apunhalado por conspiradores entre os quais se encontrava seu filho Brutus.
Também é normal, banal e corriqueiro ver o ‘traidor’ de ontem gabar muito o traído de hoje. O despudor, por vezes, até os leva aos pares, para reiterarem substantivamente a adesão de hoje ao repudiado de ontem.
Talvez tenham estômago de cavalo, dado às persistentes ruminações, mas muito frágil, na parte intestinal, quanto às cólicas que se autopropiciam.
Provavelmente Eça de Queirós teria toda a razão, quando há mais de um século escrevia no ‘Distrito de Évora’: “O Que Verdadeiramente Mata Portugal”, sobre a comezinha prática, dentre outras, de se trair amigos, companheiros e projetos e transformar a política sem atos, fatos, resultados, que a faz estéril e adormecedora. Por sinal, para quem tem o saudável hábito da leitura, um livro que aqui recomendamos.
Em política sempre vai haver traição e traidor. E sempre o traidor será abominado. É o preço a pagar.

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