O que tem valor?

“Não vemos as coisas como elas são, vemos como nós somos.” (Anaïs Nin)

Em um tempo em que tudo parece mensurável curtidas, números, conquistas, títulos, poder, talvez a pergunta mais importante seja justamente aquela que quase não fazemos: o que, de fato, tem valor?

Inspirados na reflexão de Clóvis de Barros Filho, percebemos que valor não é aquilo que simplesmente se acumula, mas aquilo que sustenta uma vida com sentido. Não está no que se exibe, mas no que se vive, no que permanece quando o externo já não impressiona.

Há dias em que tudo parece funcionar: metas cumpridas, rotina organizada, respostas dadas. Ainda assim, algo pode faltar. Porque o valor não está apenas no fazer, mas no significado do que fazemos e, principalmente, em como isso impacta a nós e aos outros.

E há algo que revela muito sobre esse valor: os combinados que honramos. Em um cotidiano marcado por promessas rápidas, cumprir a própria palavra se tornou um diferencial ético. Não apenas nos grandes compromissos, mas nos pequenos chegar no horário, dar retorno, sustentar o que foi dito. A confiança nasce aí, e poucas coisas são tão valiosas quanto ser alguém em quem se pode confiar.

Da mesma forma, o valor se manifesta no modo como tratamos o próximo. Não quando é fácil, mas quando não há vantagem alguma envolvida. É na forma de olhar, de escutar, de responder. Pequenos gestos que, muitas vezes, passam despercebidos, mas deixam marcas profundas.

A Psicologia Positiva amplia esse olhar ao nos lembrar que valor também está nas forças que cultivamos internamente: o perdão que liberta, a autocompaixão que acolhe nossas imperfeições, a resiliência que nos sustenta nas adversidades, a gratidão que nos reconecta com o essencial. São ferramentas silenciosas, mas profundamente transformadoras, que dão consistência àquilo que vivemos por dentro e por fora.

No fundo, somos construídos pelas escolhas que fazemos e pela forma como atravessamos a vida das pessoas. O trabalho ganha valor quando tem propósito, quando deixa de ser apenas obrigação e passa a ser contribuição.

Isso não elimina as dificuldades. Há dores, frustrações, dias difíceis. Mas até esses momentos podem carregar valor, quando nos fazem crescer, amadurecer e enxergar com mais profundidade.

Reflexão – Talvez, então, a pergunta não seja apenas “o que tem valor?”, mas “o que temos valorizado todos os dias?”. Porque valor também é escolha. E, no fim, algo simples permanece: aquilo que oferecemos ao mundo encontra, de alguma forma, o caminho de volta. Por isso, vale a pena deixar o melhor nas palavras, nas atitudes e na forma de tratar quem cruza o nosso caminho.

 

 

 

Raphael Blanes: Servidor Público Municipal, formado em Filosofia, Gestão em Saúde Pública, Técnico em Vigilância em Saúde com ênfase no Combate às Endemias, Gestão Hospitalar, Saúde Única (One Health), RH e Desenvolvimento de Equipes e graduando em Psicologia. Instagram: @raphaelblanes – Email: blanes.med@gmail.com.

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