As peças se movem

Pode parecer que outubro de 2020 ainda está longe, mas politicamente falando está bem mais perto do que parece. Dissemos em editorial anterior que o xadrez político começou a mexer muitas peças assim que terminaram as eleições de outubro, ainda em seu primeiro turno.
A disputa pelo Palácio Tibiriçá daqui dois anos certamente vai ser a mais acirrada das últimas duas décadas. Desta vez, o ocupante do cargo (se tentar a reeleição) terá contra si uma administração que recebe críticas diárias da população e concorrentes que não devem, a princípio, ter ligação com a chamada ‘República de Franco da Rocha’, como ocorreu em 2016, que levou seu adversário à derrocada nas urnas, e lhe garantiram a vitória muito mais como forma de protesto do que por méritos próprios.
Alguns nomes circulam há um bom tempo como candidatos ao Paço, a começar pela oposição, que mesmo de forma tímida tem mostrado as garras, até aqui centrada na figura do ex-vereador Aladim. Nas últimas semanas também surgiu o nome do vereador Chinão Ruiz, que não é do partido do prefeito, mas que parece gozar da sua simpatia. Se confirmada a sua eleição à presidência da Câmara, dificilmente o chefe do Executivo terá como impedi-lo de se candidatar ao Paço.
E ficam algumas perguntas: o prefeito vai tentar a reeleição? Se não vai, fará a opção de lançar o filho? Ou vai mesmo apoiar o vereador? Ou sonha em juntar filho e vereador numa mesma chapa?
Seja como for, a tendência em 2020 é que tenhamos um pleito renhido, em cenário em que os ‘dinossauros’ da política local caminham a passos largos à extinção. Será uma disputa diferente, com regras nunca antes experimentadas, como a que proíbe que os partidos realizem aquela ‘patifaria’ chamada coligações, em que os espertalhões se valem dos votos dos incautos.
O tabuleiro parece pronto e as peças já começam a se movimentar.

Posts similares

  • Que cardápio!

    O eleitor brasileiro vai contar com um cardápio pouco apropriado na escolha do futuro presidente da República, que vai ser feita em 2022. Nunca antes neste País (né, Lula!) tivemos uma renca como a que se anuncia desde já. De um lado, o atual presidente Bolsonaro, que carrega consigo a teimosia, o destempero e uma…

  • Três anos sem Danuza

    Um dos melhores textos do jornalismo brasileiro era de Danuza Leão, que faleceu no dia 22 de junho de 2022. No terceiro ano de sua passagem, trazemos aos leitores um dos seus saborosos textos. Ela foi considerada um ícone de sua época em tudo o que fez. Além de jornalista, foi top model, escritora e…

  • 60 dias

    Em se tratando de notícias do Governo Federal, seja ela de qualquer origem, é bom fazer uso daquilo que o apóstolo Tomé preconizava: “é melhor ver, para crer”. A notícia de que os preços dos alimentos, há meses nas alturas, devem baixar nos próximos 60 dias, é uma dessas informações que carece de ver primeiro,…

  • Pregando no deserto

    Há situações em que a população se mostra desatenta, desinteressada ou simplesmente pouco preocupada com a redução diária do volume armazenado nos reservatórios do Sistema Cantareira. Estamos no período mais seco do ano, mas isso parece não afetar quem depende da água que chega às torneiras, pois o consumo excessivo continua em ritmo preocupante. Não…

  • Pau que bate em Chico…

    A imprensa panfletária, que reúne alguns dos principais jornais (Folha, O Globo, Estadão) e a Rede Globo e a Globonews, rapidamente manchetaram a decisão do Superior Tribunal de Justiça que anulou as provas obtidas contra o senador Flávio Bolsonaro na investigação da rachadinha no Rio de Janeiro. Críticas choveram, analistas engravatados discorreram horas à fio…