Candidatos nativos fracassam nas urnas
EDITORIAL
Antes mesmo de analisar os resultados das urnas em Mairiporã, é preciso identificar o que levou dois políticos locais, integrantes da chamada oposição, a enfrentar as urnas no último domingo, ambos como candidatos a deputado federal.
Entre as possíveis motivações estão a necessidade de autoafirmação, a tentativa de pavimentar o caminho rumo às eleições municipais de 2028 – quando, neste caso, o objetivo de ambos seria chegar à chefia do Executivo – ou, simplesmente, o oportunismo de sempre.
O fato é que os dois, Chinão Ruiz (ex-vereador) e Gleydson Aiacyda (vereador), esperavam, no mínimo, atingir o patamar de 8 mil votos, número alcançado por outros candidatos nativos em eleições anteriores. Essa expectativa, inclusive, foi levada aos apoiadores, que não se furtaram a comentar a meta pelos quatro cantos da cidade.
Depois de um mês e meio de campanha, o dia da eleição finalmente chegou. E a resposta das urnas não poderia ser mais clara: o resultado representa um fracasso político. Sim, e é bom que não haja qualquer tentativa de maquiar a situação ou amenizar o desempenho, que foi muito abaixo das expectativas anunciadas e certamente terá consequências sobre as futuras pretensões de ambos.
O ex-vereador amealhou 2.874 votos, enquanto o atual parlamentar obteve 2.687 votos. Juntos, somaram 5.561 votos – bem distante dos 8 mil que cada um projetava alcançar.
Mais do que a quantidade de votos, que evidentemente é um componente fundamental na disputa por cargos eletivos, o que ficou evidenciado é que os dois ainda estão longe de se apresentarem como forças políticas capazes de sustentar projetos de maior envergadura eleitoral.
Eleição para prefeito não é para amadores nem para aventureiros. Isso já foi demonstrado ao longo do tempo e nas muitas disputas eleitorais vividas em Mairiporã. Para chegar ao comando do Executivo, não basta vontade, discurso ou a convicção de que se possui uma base eleitoral capaz de responder nas urnas. É preciso liderança, organização, capacidade de articulação e, sobretudo, confiança do eleitor.
Os resultados de domingo, portanto, vão inevitavelmente impactar o futuro político de ambos, que um dia já estiveram do mesmo lado e hoje não mais comungam dos mesmos ideais. A política, como se sabe, é dinâmica, mas também costuma ser implacável com aqueles que confundem expectativa pessoal com força eleitoral.
E talvez esta seja a principal lição deixada pelas urnas: antes de sonhar com a Prefeitura, é preciso convencer o eleitor de que se tem força suficiente para chegar até lá.
Em política, pretensão não se transforma automaticamente em liderança – e a urna, ao contrário dos discursos de campanha, não costuma fazer concessões.