Chega dos mesmos!

É consenso, nos meios políticos e em inúmeros segmentos da sociedade local, que a composição da Câmara de Vereadores, que encerra mandato em dezembro, foi a pior que já teve assento na Casa de Leis, em toda a história política da cidade. Não faltaram razões para isso, que vão desde o adesismo e subserviência ao Poder Executivo, que implicou na rasa fiscalização observada, até a quase nula representatividade.

Daqui 9 dias os eleitores de Mairiporã vão às urnas para definir quais serão os seus ‘representantes’ no parlamento municipal pelos próximos quatro anos. Nesta reta final é comum, mas não deveria ser, que as campanhas fiquem mais acirradas e que os concorrentes lancem mão de todos os artifícios, alguns ilegais, como mentir em vídeos espalhados nas redes sociais, tudo em nome do convencimento dos eleitores de que são melhores que os adversários.

A mudança observada no início deste ano, quando vereadores que gozavam da intimidade do gabinete do burgomestre decidiram engrossar o até então diminuto exército oposicionista, não serve de atenuante. Ainda não se sabe se essa mudança foi oportunismo político ou impelidos a fazê-lo, uma vez relegados à condição inferior no time que cegamente apoiou o prefeito, claro, em troca de favores e muitos cargos na administração.

São mais de 200 candidatos a vereador e embora alguns nomes sejam figurinhas carimbadas, existe todo tipo de perfil, desde liberais e conservadores, religiosos e ateus, corintianos e palmeirenses e o espertos e os incautos. Cardápio para todos os gostos.

Dos que estão no cargo, Marco Antônio tem quatro mandatos, Márcio Alexandre tem três, assim como Carlos Augusto, ou seja, veteranos como edis que ao longo de todos esses anos pouco ou nada acrescentaram à cidade enquanto ‘representantes’. Mas estão em busca de mais quatro anos. E se computadas as eleições que perderam, fazem da política um meio de vida.

O eleitor tem uma nova oportunidade de colocar caras novas na Câmara, de pôr fim ao ‘mais do mesmo’, inclusive de assessores que vivem de ‘boquinhas’ na Prefeitura e Câmara, também conhecidos como cabos eleitorais.

E se de fato essas novas caras chegarem ao Palácio Tibiriçá, que não façam aquilo que os neófitos de 2016 fizeram, ou seja, nada ou quase nada em favor da população e quase tudo em benefício pessoal.

Posts similares

  • República de incautos

    O assassinato de uma vereadora do Rio de Janeiro, que certamente poderá levá-la a um processo de canonização na Santa Sé, tamanha a comoção causada entre os incautos que sempre servem de massa de manobra, é o exemplo definitivo de como a maioria dos brasileiros não tem discernimento e gosta de aparecer na mídia. Esta,…

  • Balcão de negócios

    Na política ou no dia-dia, na linguagem popular, convencionou-se rotular como fonte de corrupção nos Três Poderes da República de “balcão de negócios”. E assim, rotineiramente, aparecem denúncias sobre corrupção no Legislativo, Executivo e, agora, para equilíbrio e harmonia dos Poderes, surgem mais frequentemente no Poder Judiciário. Recentemente tivemos um caso do desembargador do Tribunal…

  • Lições e ações climáticas

    A tragédia climática sem precedentes que se abateu sobre o Rio Grande do Sul, trouxe à tona, segundo levantamento do Governo Federal, que ao menos 1.942 cidades brasileiras estão em áreas de risco recorrente para inundações, enxurradas e deslizamentos de terra. Para muitos, esses números estão subestimados, o que enseja uma análise mais aprofundada. Claro…

  • Mais dois?

    O projeto de lei que está na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados vai mexer de forma decisiva no sistema eleitoral. Até onde se sabe, a maioria dos parlamentares está de acordo com pelo menos 90% do texto original. Além do fim da reeleição para os cargos do Executivo (presidente da República,…

  • Obrigação de legislar

    Uma nova composição de vereadores terá assento na Câmara a partir de janeiro. Sete neófitos, para sermos mais exatos. Sete que também foi o número de novatos que chegaram ao Poder Legislativo em 2017, com promessas de mudanças. Não foi o que se viu nos últimos quatro anos. Uma Câmara submissa às vontades do Poder…

  • “Indústria de multas” em Mairiporã

    “Indústria de Multas” em Mairiporã cresceu 26,14% nos primeiros nove meses deste ano na comparação com o mesmo período do ano passado, e na contramão do setor produtivo do Brasil. A indústria de transformação registrou queda na produção. Levantamento feito pela reportagem do Correio junto a dados oficiais publicados no Portal da Transparência da Prefeitura,…