ÉSSIO MINOZZI JR.
O IDEB 2025 saiu, mas o que essa nota realmente mede? Comparar com resultados de municípios vizinhos é uma demonstração de desconhecimento dessa ação de política pública educacional. Publicar que “Mairiporã tem o maior IDEB entre as cidades do Cimbaju” é chover no molhado. Mairiporã sempre se destacou nessa comparação. Porque não se compara com o município vizinho Atibaia que alcançou a nota 7,4 nos anos iniciais superando a meta 7,3 e registrando o recorde histórico da sua rede no IDEB 2025.
O conceito básico do indicador é a partir do desempenho inicial de sua própria média, ir evoluindo com os resultados que buscam atingir a nova média. Por isso coloca-se a meta individual para cada municípios, portanto, comparações entre municípios é uma falácia e a publicação equivocada destaca um resultado que ilude os leigos.
O resultado 6,7 no IDEB Anos Iniciais em 2025 de Mairiporã atingiu o mesmo resultado do IDEB 2019, antes da pandemia-covid 2020. Estava secretário municipal da educação da prefeitura de Mairiporã (2027-2019) quando estabelecemos como prioridade melhorar a qualidade da aprendizagem municipal, pois os indicadores estavam abaixo das metas estabelecidas. Para tanto elaboramos ações de políticas públicas educacionais específicas visando efetivamente a valorização dos profissionais da educação municipal através do bom desempenho da aprendizagem de seus alunos desde 2017.
Com o empenho dos profissionais da educação a qualidade da aprendizagem dessas escolas evoluíram gradativamente, pois acompanhávamos com avaliações externas bimestrais a evolução dos alunos da rede municipal e, concomitante, e o desempenho dos educadores era valorizado.
Com o passar do tempo surgem denúncias como a do Sind-UTE/MG que em 2025 relatou “o conjunto de medidas da SEE/MG conhecido como ‘Aprovaço’: repetição de provas, avaliações online em massa e pressão pela aprovação. Não era política pedagógica, era uma estratégia para inflar os indicadores. Média não é retrato! Uma rede pode subir a média e continuar deixando gente para trás. O índice não mostra quem sobe e quem fica: estudantes negras e negros, do campo, das periferias, da educação especial, das escolas sem estrutura.” conforme publicou no Instagram o Movimento Escola em Luta – MEL. Essas práticas acontecem em muitos municípios e fragiliza a efetividade do IDEB!
A avaliação pedagógica é diagnostico e é continua. Acontece na sala de aula, com quem conhece cada aluno traz a seriedade da aprendizagem. Agora uma prova padronizada aplicada a cada dois anos registra o desempenho de um dia. Evidentemente as diferenças não são consideradas.
Escolas com realidades incomparáveis são ‘medidas pela mesma régua. Financiamento, transporte, infraestrutura, número de estudantes por turma e condições de trabalho não entram no cálculo, mas determinam o resultado.’ Não conhece o trabalho dos profissionais da educação que sustentam a escola pública de pé todos os dias. Indicadores que mostrem a desigualdade em vez de escondê-la, com recorte de raça, renda, região e deficiência. A falta de investimentos, salas lotadas e desvalorização dos educadores.
O verdadeiro indicador de uma educação de qualidade não é a média nem a aprovação, mas a redução das desigualdades e a garantia de aprendizagem para todas e todos, conforme consta na legislação educacional brasileira.
Essio Minozzi Jr. licenciado em Matemática e Pedagogia, Pós-Graduado em Gestão Educacional – UNICAMP e Ciências e Técnicas de Governo – FUNDAP, foi vereador e secretário da Educação de Mairiporã.