A saúde mental dos profissionais da educação no Brasil é crítica, com estudos indicando que mais de 60% relatam problemas como estresse, ansiedade e depressão. Fatores como precarização, violência escolar, sobrecarga e falta de valorização geram altos índices de Burnout – exaustão extrema, sendo uma das categorias mais afetadas por riscos psicossociais.
Venho acompanhando a distância esse ‘momento’ da educação, notadamente, o que vem ocorrendo nas salas de aulas de nossas escolas. O Instagram traz postagens com declarações de professores e professoras que caracterizam adequações nas ‘posturas’ de docentes e, também, que buscam orientar as famílias dos educandos.
O erro silencioso que faz bons professores parecerem fracos na sala de aula não é a falta de conhecimento técnico, mas sim a crise de posicionamento e a tentativa de dar conta de tudo sem estratégias de gestão de sala de aula.
Tem professor competente com conteúdo, boa intenção e tem preparo, mas mesmo assim a turma testa, ignora e não leva a sério. Por quê? Nem sempre falta capacidade. As vezes falta condução! O erro silencioso é negociar demais com a desorganização. Pedir 7 vezes, avisar 10 vezes, repetir comando sem consequências. Isso corrói a autoridade do professor aos poucos!
Como isso aparece na prática? “Gente senta por favor”. “Pessoal silêncio”. “Vamos começar agora”. “Última vez que peço”. Quando tudo vira pedido, nada vira direção! Por que isso enfraquece? Porque a turma aprende uma mensagem invisível! “O professor fala mais não sustenta”. E o aluno testa aquilo que percebe instável.
O que o professor forte faz de diferente? Ele fala menos, espera mais, sustenta combinados, age com calma e cumpre o que disse. Portanto, prevalece o comando curto, a postura firma que demonstra força real!
Exemplo prático! Em vez de “pessoal vamos colaborar”, use “agora: caderno aberto e olhos aqui”, pois clareza transmite liderança. Autoridade não nasce de grito! Nasce de previsibilidade, constância, limite, ação coerente, serenidade sobre pressão.
Se sua turma só anda depois de 10 pedidos de atenção, não significa que você é fraco! Significa que talvez seu comando precise mudar! E isso se aprende!
A família é a base da educação, atuando como primeiro agente socializador, responsável por transmitir valores éticos, morais e afetivos. Seu papel de complementar à escola envolve acompanhar o desempenho, incentivar a motivação, estabelecer rotinas de estudos e garantir o suporte emocional do aluno.
“Meu filho não consegue se concentrar nas aulas. A escola precisa fazer aulas mais envolventes.” E vocês, como pode ajudar seu filho em relação à concentração? É sim um desafio gigante para um aluno conseguir se concentrar em um mundo com tantos estímulos, porém não há aula que consiga atrair uma atenção que não existe!”, segundo SOS.Educação e Verbum. Educação, publicado no Instagram.
Nossos filhos estão crescendo cada vez mais carentes da habilidade de foco e atenção. A escola pode ajudar na aplicação dessa habilidade, mas plantar e regar para que ela nasça e cresça é papel da família.
Dentro de casa, no dia a dia da família, estão as melhores oportunidades para criarmos o antídoto que protege e ajuda a ampliar a capacidade de atenção de nossos filhos. Precisamos ensinar as crianças e adolescentes a fazerem uma só atividade de cada vez. Uma coisa de cada vez. Se vão assistir à TV, então têm que guarda os brinquedos antes. Se estão brincando, todas as telas devem estar desligadas. Na hora das refeições, é preciso estar sentado à mesa sem nenhuma tecnologia ligada. Combina com seu filho pré-adolescente ou adolescente de assistir a episódios da série que ele gosta sem o celular por perto. No momento da aula, seu filho vai aplicar a capacidade de foco e atenção que ele desenvolve na rotina da família. Só então na aula pode ajudar a estender ainda mais essa habilidade já adquirida!
Essio Minozzi Jr. licenciado em Matemática e Pedagogia, Pós-Graduado em Gestão Educacional – UNICAMP e Ciências e Técnicas de Governo – FUNDAP, foi vereador e secretário da Educação de Mairiporã.