Artigo de passagem para o sétimo ano

LUÍS ALBERTO

Pois é, a partir deste artigo entro oficialmente no sétimo ano como colaborador deste jornal. Naquela época estávamos em meio a pandemia e de lá para cá tanta coisa aconteceu na minha vida. O primeiro artigo era uma crônica na verdade, intitulada: “Lá vem eles outras vez”, que comentava sobre o quadro político da época, uma vez que se aproximava o período eleitoral para a escolha no novo Prefeito.

Naquele momento, eu ainda tinha a minha mãe e não imaginava a quantidade de mudanças que começariam na minha vida, principalmente em razão da sua ausência. De lá para cá, me decepcionei algumas vezes, fui feliz em tantas outras, provei da ingratidão, da amizade de quem se aproximou por interesse, egoísmo, doença emocional ou por canalhice mesmo. Fato que aprendi!

Estar aqui na página quatro por tantas semanas desde 2020 é um presente para alguém que no início da década de noventa era o menino que entregava os jornais pelas ruas do centro de Mairiporã. Hoje, tantos tocam as folhas e sentem o cheiro das páginas podendo ler o texto daquele menino. Sim, pois como diria Milton Nascimento e Fernando Brant: “Há um menino, há um moleque morando sempre no meu coração. Toda vez que o adulto balança e vem pra me dar a mão.”

Sim, o menino ainda mora aqui e gosta de escrever e de falar. Tem escrito menos e falado mais, mas a escrita já rende um segundo livro que em breve poderão, caros leitores, conhecer os detalhes por aqui. Agradeço ao Wagner Azevedo, Marcos Roberto Borges e Jean Capuano, pela oportunidade de iniciar este sétimo ano nesse time importante da comunicação Mairiporanense e regional.

Talvez seja por isso que completar anos escrevendo neste espaço tenha um significado que vai muito além de uma data ou de uma simples contagem. Cada artigo publicado carrega um pouco do tempo que passou, das pessoas que chegaram, das que partiram, das histórias que vivi e das coisas que aprendi. Algumas linhas nasceram da indignação, outras da alegria, algumas da tristeza e muitas apenas da vontade de conversar com quem, do outro lado da página, talvez também estivesse vivendo alguma coisa parecida.

E há algo bonito em perceber que o jornal também mudou, que a cidade mudou e que eu mudei junto. Aquele menino que caminhava pelas ruas entregando jornais, jamais imaginaria que, tantos anos depois, estaria sentado diante de um computador escrevendo justamente para um jornal que circula pelas mesmas ruas. A vida tem dessas delicadezas. Às vezes ela nos leva para longe apenas para nos devolver ao lugar de onde começamos, mas em outra posição, com outras histórias e com muito mais coisas para contar.

Anos depois, continuo acreditando que escrever é uma forma de permanecer. É deixar um registro de um tempo, de uma cidade e, principalmente, de nós mesmos. Enquanto houver uma página, uma história para contar e alguém disposto a ler, aquele menino continuará por aqui.

Talvez um pouco mais cansado, certamente mais experiente, mas ainda curioso, ainda inquieto e ainda apaixonado por palavras. E quando olho para trás e percebo tudo o que coube nesses anos, só consigo pensar em uma coisa: É sete! E não é conta de mentiroso!

Luís Alberto de Moraes – @luis.alb – Autor do livro “Costurando o Tempo – dos Caminhos que Passei”

 

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