O tempo no colo de uma mãe

O grande inimigo de uma mãe é o tempo. Já começa logo depois da emoção da notícia, quando começa a ansiedade de cada semana junto com os exames médicos e as consultas. Poder ouvir o coraçãozinho e acompanhar as mudanças centímetro a centímetro daquela vida criando forma. São os ingredientes doces que resultam naquele barrigão que vai ficando.

Há um instante que não cabe no tempo, mas que a hora e o minuto ficam marcados. É o primeiro choro, ainda molhado de eternidade, quando a vida se anuncia sem pedir licença. Nesse momento, a mãe não nasce depois do filho; nasce junto, no mesmo sopro. E tudo o que antes era medida se desfaz: o tempo deixa de ser linha e passa a ser pulsação. O mundo inteiro se reorganiza ao redor de um corpo pequeno, de um coração que aprende a bater fora do próprio peito.

Vêm então as noites mal dormidas e uma vigília de amor ouvindo cada suspiro e movimento daquele bebê. Há um cansaço que não diminui a ternura, já que amar é resistir a tudo: ao sono, a exaustão e ao medo. As feições vão fazendo a gente olhar um traço ou outro e lembrar de alguém.

Alguns gestos parecem antigos e de repente o primeiro sorriso de quem reconheceu. O sorriso do filho a vida toda será para a mãe uma alegria que

não se explica.

Ah, o tempo é um artesão invisível e também trabalha sem descanso. Ele não pede autorização, não espera que estejamos prontos. Só piscar e as fases se despedem. A comidinha, o engatinhar cede espaço ao equilíbrio incerto dos primeiros passos. E cada tentativa é uma pequena vitória contra o chão. As mãos se soltam, os pés se arriscam e ali está o mundo sendo conquistado. em centímetros.

Logo vêm as primeiras palavras balbuciadas e incompletas, mas carregadas de um vínculo eterno e sagrado. E enquanto tudo isso acontece, quase sem que se perceba, algo escapa. Porque o tempo, é generoso e implacável. Leva consigo aquilo que jamais retornará da mesma forma. A infância não repete seus gestos. Cada fase é única, irrepetível, como uma estação que floresce uma única vez.

Depois, fica a saudade dessa presença delicada do que já foi. Não como dor que fere, mas como lembrança que aquece. Saudade do que passou sem pedir licença, mas que deixou marcas profundas, invisíveis e eternas.

Neste Dia das Mães, talvez o maior gesto não seja o de celebrar apenas o que foi vivido, mas o de despertar para o que ainda pulsa. Porque o tempo continua seu ofício silencioso. E amar, no fundo, é isso: estar atento. É não deixar que os instantes se tornem ausentes antes de serem, de fato, presença. É compreender que, embora o tempo não volte, o amor, esse sim permanece!

Ampliando cada memória, dando sentido a cada passagem, eternizando o que, por natureza, era breve. Feliz dia das mães!

 

Luís Alberto de Moraes – @luis.alb – Autor do livro “Costurando o Tempo – dos Caminhos que Passei”

 

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