Mudei de ideia

Na semana passada tive uma ideia sobre o que escrever essa semana. Pretendia falar sobre como uma amiga muito próxima conseguiu, depois de tentar muito (e pensar em desistir), algo que ela queria. Uma semana depois, o assunto já não me parecia tão interessante, da maneira como tinha pensado antes. Mudei de ideia. Pensei então em falar sobre como certas coisas na vida são passageiras. Pensando melhor, mudei de ideia. Resolvi então falar sobre mudar de ideia.
Jornalismo nem sempre foi a minha primeira opção de curso na faculdade. Por algum tempo, fazer letras me chamava bem mais a atenção. História passou pela minha cabeça e assumo que sociologia me fez brilhar os olhos. No final das contas, mudei de ideia várias vezes até escolher uma. Eu já não me considero uma pessoa muito boa na arte de fazer escolhas, até porque as opções que se apresentam têm cada uma seus prós e contras. O “não sei” me acompanha em diversas situações e, quando eu falo que não sei, é porque não sei mesmo: em que planeta seria fácil decidir, por exemplo, qual livro ler nas férias ou qual roupa usar em uma festa. Por isso mesmo, não recuso a mim a opção de mudar de ideia.
Nem sempre as coisas saem do jeito que a gente imaginou (nem sempre o livro é bom, nem sempre a roupa cai bem), e a solução é mudar de ideia, testar algo novo, refazer. Semana passada, mesmo, fui com alguns amigos assistir ao jogo do Brasil em um telão na Avenida Paulista. Chegando lá, o local era um tanto quanto apertado, não conseguimos sentar confortavelmente e a tela nem era tão grande assim. Mudamos de ideia e preferimos ir para casa de alguém, onde teríamos, pelo menos, um sofá.
Mudar de ideia antes ou depois de fazer algo, tanto faz. O importante, para mim, é pensar que as possibilidades estão abertas e que escolher um, em um primeiro momento, não significa não poder escolher outro. Mudar de opinião também é válido, mudar de pensamento, mudar de atitude. Antes eu podia até achar que mudar não faz bem, mas, agora, mudei de ideia.

Posts similares

  • Cronos e Kairós: Duas Perspectivas

    ‘O tempo é uma extensão da alma’ (Santo Agostinho) O tempo sempre foi uma preocupação central da humanidade. Na Grécia Antiga, os filósofos distinguiam dois conceitos fundamentais: Cronos e Kairós. Enquanto Cronos representa o tempo cronológico e linear, medido pelos ponteiros do relógio e pela passagem dos dias, kairós refere-se ao tempo qualitativo, aquele momento…

  • Perfil

    É sempre mais fácil lidar com as situações ruins quando temos alguém para culpar. Desde grandes problemas até as menores complicações, é mais confortável quando a causa da questão não somos nós. Mas, em algumas situações, não há como fugir e nos deparamos com a dura realidade: sim, eu errei. Não estou aqui falando apenas…

  • Ver

    Se você é um leitor recorrente desta coluna, pode se lembrar de tuma ou outra vez em que citei como uma das minhas vontades mais estranhas durante a infância era a de usar óculos. Não por precisar, e sim por apenas considerar um acessório bonito, que acrescentaria alguma coisa no meu visual. O tempo passou…

  • Helvética

    Helvética é o nome de uma fonte. Assim, como Arial, Times New Roman, Calibri e todas as outras. Existe quem saiba identificá-las facilmente, só de ver uma palavra digitada. E existe quem, assim como eu, raramente saiba a diferença entre uma e outra. Estive pensando nisso enquanto conversava com um amigo sobre tatuagem, quando ele…

  • Carta para Meu Amor!!!

    “O amor é paciente, o amor é bondoso. Não inveja, não se vangloria, não se orgulha.” (1 Coríntios 13:4) Adriana… Ontem foi Dia dos Namorados, ainda dá tempo de se declarar né?!KKK. Hoje escrevo sobre o amor, não aquele idealizado das redes sociais, mas o que se constrói na vida real, com respeito, amizade e…