Igualdade de condições

Somente por força da lei é que a eleição para prefeito em Mairiporã passou a ter igualdade de condições no último sábado. O prefeito, que deitou e rolou através da Imprensa Oficial, paga com dinheiro público, é bom que se enfatize, agora não pode mais usar desse expediente para fazer campanha eleitoral antecipada.
Foi isso que fez nos últimos seis meses, sem que nada nem ninguém impedissem essa estratégia condenável. Este jornal cobrou inúmeras vezes uma ação contudente do Ministério Público e também dos partidos de oposição, mas o quadro só veio a mudar no último sábado.
Agora o burgomestre não tem mais nem a Imprensa Oficial, nem o site e o facebook da Prefeitura para enaltecer os seus feitos, que ainda encontram eco entre os incautos. E nos vem à lembrança uma frase do dramaturgo Nelson Rodrigues: “A maior desgraça da democracia é que ela traz à tona a força numérica dos idiotas, que são maioria”.
A perquirir o que fará ‘sua excelência’ sem os equipamentos públicos de que dispôs até então, religiosamente pagos com dinheiro do bolso e da mesa do trabalhador mairiporanense.
Outro componente dessa engrenagem eleitoral, é que o senhor alcaide também não poderá participar de inaugurações e nem contratar obras.
Isso tudo o coloca em igualdade de condições com os demais postulantes à principal cadeira do Palácio Tibiriçá, embora possa fazer uso da máquina da Prefeitura para sustentar sua candidatura.
Os opositores ao prefeito, por seu turno, também tem feito mau uso da imprensa. Acreditam que as redes sociais resolvem tudo. Porém, falta credibilidade a elas, pois as informações verídicas e de interesse público há muito tempo deram lugar não só às fake news, mas principalmente a temas quase de cunho pessoais, o que definitivamente não contribui com a cidade na busca de soluções para os problemas que enfrenta há décadas.
Este o quadro desenhado para a campanha eleitoral.

Posts similares

  • Censura travestida de ‘democracia’

    Há 45 anos milito no jornalismo e passei por força da profissão por diferentes veículos de comunicação: jornal, rádio, redes sociais e posso afirmar que considerá-los isentos, beira a utopia. A narrativa de independência dos fatos diante da sociedade é conversa mole pra boi dormir. A expressão ‘ser independente’ era um atributo que poderia ofertar…

  • Busca por milagres

    A crise econômica que perdura no País, desde o terceiro ano do primeiro mandato da ex-presidente Dilma Rousseff, atingiu diretamente os orçamentos das cidades brasileiras. Com perdas na arrecadação de impostos diretos e queda acentuada nos repasses, os prefeitos ficaram literalmente de pires na mão. E nem adiantou buscar socorro nas esferas estadual e federal,…

  • País de imbecilizados

    Uma parcela considerável da população brasileira, para não dar a conotação de maioria, mescla ignorância com imbecilidade, o que não chega a ser surpresa. Basta ver os políticos eleitos a cada dois anos (municipais e estaduais e federais). Sempre os mesmos, com décadas em diferentes parlamentos e conhecidos pela prática nada nobre de se servir…

  • Votar ou abster-se?

    A cada nova eleição realizada no Brasil surgem palavras de ordem e ditados antigos, ditos como se fossem verdade absoluta. Um dos mais repetidos é, sem dúvida, aquele que exalta “a importância do voto”. Muito se fala que o voto é o exercício democrático do processo eleitoral, que é uma das principais expressões de cidadania,…

  • Reclamar com o bispo

    O Brasil é um dos países mais pródigos em corrupção, maracutaias, fraudes e outras modalidades de patifaria com as quais os mais espertos se beneficiam. E em qualquer das modalidades está cada vez mais sofisticada, afinal, estamos na era da tecnologia. O sucesso obtido nessas empreitadas são garantidos, pois consegue ludibriar os incautos, principalmente porque…

  • Voto a quem merece

    A cada eleição para escolha de deputados Mairiporã vive o drama de não ter um representante na Assembleia Legislativa e na Câmara dos Deputados em Brasília. E não tem por dois motivos: 1) não tem um colégio eleitoral suficiente (55 mil eleitores) para eleger pelo menos um deles, e 2) pulveriza o voto em candidatos…