Recuperar a credibilidade

Se existe no Brasil algo que se aproxime do descrédito dos políticos, atende pelo nome de vacina. Desde o advento da Covid-19, em 2020, as campanhas feitas pelo Ministério da Saúde perderam a confiança de uma parcela significativa da população e o que se viu, a partir de então, foram campanhas com resultados pífios, envolvendo todo o espectro vacinal ofertado.

Embora as Prefeituras, a quem cabe o ônus da aplicação das doses, se desdobrem para imunizar a maioria das pessoas que integram os grupos, especialmente os prioritários, o esforço não tem encontrado a reciprocidade necessária. O que se evidencia é um ambiente de desinformação, dúvidas e questionamentos sobre a eficiência e a segurança das vacinas.

A consequência desse cenário foi o retorno de doenças antes controladas ou praticamente erradicadas, cujos vírus voltaram a circular pelos quatro cantos do País, trazendo preocupação às autoridades sanitárias.

Mairiporã está inserida nesse contexto de descrédito e a tarefa das autoridades de Saúde, no restabelecimento da confiança, não vai acontecer do dia para a noite, nem mesmo com campanhas agressivas nas mídias tradicionais ou nas redes sociais. É preciso ir além das estratégias que foram empregadas até agora, ampliando o diálogo com a população, levando informação clara e acessível, e combatendo de forma permanente as notícias falsas que circulam com facilidade no ambiente digital.

Vacinar o maior número possível de pessoas, especialmente crianças e idosos, protege não apenas quem recebe o imunizante, mas também aqueles que, por idade ou condição clínica, dependem da chamada proteção coletiva. Trata-se de um compromisso que envolve poder público, profissionais de saúde e a própria sociedade.

Para recuperar a credibilidade perdida, será necessário persistência, transparência e informação de qualidade. O Brasil construiu, ao longo de décadas, um dos programas de imunização mais respeitados do mundo, responsável por salvar milhões de vidas.

Permitir que a desinformação coloque em risco esse patrimônio da saúde pública seria um retrocesso inaceitável.

Mais do que uma política pública, a vacinação é um pacto coletivo pela vida. E recuperar essa consciência talvez seja o passo mais importante para que o País volte a confiar em uma das mais eficazes ferramentas de prevenção que a ciência já produziu.

 

 

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