O que esperar de 2026 depois de um 2025 difícil?

O ano de 2025 definitivamente não foi fácil para o Brasil, tampouco para o povo brasileiro. As razões estão diariamente expostas nas mais diversas mídias e são sentidas no cotidiano da população. O mar de corrupção que grassa no País, aliado ao progressivo afundamento da classe política na podridão moral, intelectual e de costumes, empurrou o cidadão comum para uma descrença quase absoluta nas instituições. Tudo isso, paradoxalmente, em nome de uma suposta defesa da Democracia.
Na prática, o que se vê é o avanço de uma juristocracia que, ao extrapolar suas atribuições, acaba por desautorizar e desmoralizar os Poderes Executivo e Legislativo. Esse desequilíbrio institucional aprofunda a insegurança jurídica, fragiliza o Estado de Direito e cria um ambiente que muitos já classificam como uma forma velada de ditadura, algo sem precedentes na história republicana brasileira.
O resultado é um país onde o cidadão tem medo de pensar, de falar e até de se expressar, receoso de sofrer punições simplesmente por exercer o direito à opinião.
As redações de jornais, emissoras de rádio e canais de televisão vivem sob permanente estado de alerta. O fenômeno da autocensura se espalha, profissionais são afastados do ar por manifestarem posicionamentos, enquanto outros enfrentam processos, prisões ou optam pelo exílio. O jornalismo, pilar fundamental da democracia, passa a operar sob vigilância e constrangimento.
Como se não bastasse, os escândalos se sucedem em ritmo quase semanal e mal o País começa a assimilar as denúncias envolvendo o assalto aos aposentados do INSS – com suposto envolvimento de autoridades de alto escalão e pessoas ligadas ao núcleo do poder -, surge outro episódio envolvendo o Banco Master, encontros aéreos controversos entre advogados e ministros, e a revelação de conflitos de interesse que atingem o coração do Judiciário. Cada novo fato aprofunda a sensação de impunidade e descrédito.
Diante de tudo isso, a pergunta que ecoa nas ruas, nos lares e nas conversas silenciosas é inevitável: afinal, em que país estamos vivendo? Que instituições são essas que deveriam proteger o cidadão, mas parecem distantes de suas angústias e necessidades?
Resta ao brasileiro a esperança – talvez a última trincheira – de que 2026 traga algum alento, algum reencontro com o bom senso, a legalidade e a justiça. Que Deus nos ajude a sobreviver a mais um ano e, quem sabe, a reconstruir um país que parece ter se perdido de si mesmo.

Posts similares

  • Rede de boataria

    Foi numa noite de céu estrelado, em 1938, portanto no século passado, que os Estados Unidos tomaram ciência da mais célebre de suas histórias, contadas através da rádio CBS (Columbia Broadcasting System). Pegou o povo de surpresa e foi contada após a interrupção da programação musical: a notícia era de que marcianos haviam invadido a…

  • 20 anos depois

    O prefeito enviou à Câmara na terça-feira, 26, o aguardado projeto que versa sobre o Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS) do funcionalismo público municipal. Segundo os próprios vereadores, a quem caberá aprová-lo, a empresa contratada levou mais de um ano para elaborar as condições dessa ferramenta estratégica para o quadro de servidores. Com…

  • Mais dois?

    O projeto de lei que está na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados vai mexer de forma decisiva no sistema eleitoral. Até onde se sabe, a maioria dos parlamentares está de acordo com pelo menos 90% do texto original. Além do fim da reeleição para os cargos do Executivo (presidente da República,…

  • De olho no futuro

    O bom governante não é aquele que pensa no hoje e na solução imediatista dos problemas. Não! O administrador/gestor da coisa pública tem que ir além, olhar em direção ao futuro, em como preparar a cidade para as novas gerações. Os que assim pensam fazem do presente um instrumento para abrir caminhos aos novos tempos….

  • Descrédito recorde

    Os partidos políticos e por consequência seus integrantes, gozam de descrédito jamais visto. Ou como diria Lula, ‘nunca antes neste País’. É o que levantou o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT), em estudo divulgado no início da semana. Os que afirmam não ter ‘nenhuma confiança’ nessas instituições somaram 77,8%, ou seja, oito em…

  • Administração anêmica

    Ao contrário do que se poderia imaginar, o governo do prefeito Antônio Aiacyda (PSDB) sai fragilizado ao completar o primeiro ano. Sua impopularidade é comparável à popularidade que tinha durante a disputa eleitoral, ou seja, alta. Tudo aquilo que tinha como meta para a cidade naufragou logo de início, ao se deparar com um hospital…