Consórcios intermunicipais: uma ideia boa que parou no papel

Os consórcios de municípios nasceram como resposta aos desafios crescentes enfrentados pelas administrações locais: falta de recursos, aumento das demandas e a necessidade de aprimorar a gestão de serviços essenciais.
A proposta era simples e eficiente – unir forças, dividir responsabilidades, reduzir custos e, com isso, melhorar a qualidade dos serviços oferecidos à população. No papel, tudo funciona perfeitamente.
Os consórcios aparecem como modelos de cooperação, resolvendo problemas comuns e conquistando recursos importantes para as cidades consorciadas. Na prática, porém, a realidade é bem diferente.
Raros são os casos em que esses consórcios conseguem, de fato, agir em conjunto e transformar essa estrutura em benefícios concretos para suas comunidades. A maioria limita-se a reuniões protocolares, trocas de presidência e anúncios genéricos de intenções.
Um exemplo é o Cimbaju (Consórcio Intermunicipal dos Municípios da Bacia do Juqueri), formado por Mairiporã, Caieiras, Franco da Rocha, Francisco Morato e Cajamar. Há muito tempo não se tem notícia de uma ação conjunta relevante desses cinco municípios. As mudanças de comando – com a alternância de prefeitos na presidência – são praticamente os únicos momentos em que o consórcio volta a ser lembrado.
Essas cidades enfrentam inúmeros problemas comuns: mobilidade, saneamento, segurança, meio ambiente. Mesmo assim, não há clareza sobre quais temas receberam atenção do consórcio, a quem foram endereçadas eventuais reivindicações e, principalmente, quais resultados foram obtidos.
A crítica não é gratuita. O fato é que os consórcios intermunicipais, apesar de sua importância teórica, ainda representam muito pouco na prática. Cada prefeitura acaba se voltando apenas para suas próprias dificuldades, mesmo quando os desafios são compartilhados com os vizinhos. Divergências políticas e a falta de uma visão coletiva tornam impossível consolidar uma estratégia comum.
Enquanto isso, o espírito de cooperação – que deveria ser a base de qualquer consórcio – segue sendo apenas um conceito bonito, distante da realidade das cidades.

 

Posts similares

  • Cabos, fio, multa e respeito

    A reunião realizada entre a Prefeitura, a Elektro e operadoras de internet e telefonia, longe dos principais holofotes e ocorrida no distrito de Terra Preta, revela que a administração municipal está, ao menos em tese, disposta a multar a concessionária de energia pela constante exposição de fios e cabos caídos sobre calçadas e vias públicas….

  • O rei está nu

    Um conto do escritor dinamarquês Hans Christian Andersen (1805 – 1875) relata a história de um rei muito severo e vaidoso; não admitia ser contrariado. Certo dia apareceu um homem se dizendo alfaiate, na verdade um charlatão, e se ofereceu para fazer a roupa mais bonita que qualquer monarca, em todo o mundo, jamais havia…

  • Vergonha!

    Nem o mais pessimista dos cidadãos poderia imaginar que o reinicio dos trabalhos legislativos em Mairiporã ocorresse da forma vista na terça-feira. O que se viu durante a discussão e votação de um projeto de autoria do prefeito, que pediu nova autorização para endividar ainda mais os cofres públicos, agora em mais R$ 10 milhões…

  • Babá de eleitor

    Alguns segmentos da imprensa, com ares professorais, acreditam que o jornalismo pode e deve desempenhar o papel de auxiliar o eleitor a votar, escolher bem os candidatos e acompanhar seus representantes. Como também verificar quais projetos propõem e, no caso do município, se os vereadores são atuantes e se o prefeito cumpre as promessas que…

  • Mais gente, mais problemas e soluções urgentes

    A taxa de crescimento populacional de Mairiporã, depois de duas décadas de ritmo mais lento, voltou a dar sinais de que pode retomar os percentuais observados na década de 1990. A nova estimativa de habitantes divulgada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) mostra que em doze meses a cidade ganhou 1.708 novos moradores,…

  • A tal reduflação!

    A Lei de Gerson, nos anos 1970, ficou conhecida pelo bordão “levar vantagem em tudo, certo!” E a sua utilização continua décadas a fio, com os espertos transformando muita gente em otários. Dentre todas as maracutais que se conhece, agora surgiu uma cujo termo é “reduflação”. E o que vem a ser isso? Significa redução…