Coluna do Correio 11/7/2017

FRASE
“Se fazer fosse tão fácil quanto saber o que seria bom fazer, as capelas seriam igrejas, e as choupanas dos pobres, palácios de príncipes. (William Shakespeare, poeta e dramaturgo inglês).

CAPELA (I)
A área que abriga a Capela do Rosário, no centro da cidade, amanheceu cercada por tapume. Até agora ninguém explicou absolutamente nada sobre o motivo desse cerco. As especulações são muitas, por toda a cidade. Fala-se que a capela será reformada, que apenas vai receber grade em seu entorno e outras apontam que será derrubada para dar lugar a uma nova.

CAPELA (II)
Sobre a paternidade da obra, as especulações são ainda maiores. O dinheiro pode ser da Prefeitura (o que seria uma aberração) ou da própria igreja. Mas também ninguém explica. Aliás, o governo municipal, desde que a cidade ficou independente no final dos anos 1940, nunca explica nada. Faz e deixa que o povo faça papel de bobo.
CAPELA (III)
Nas redes sociais as informações são as mais desencontradas. Como não há comunicado oficial nem da Prefeitura, nem da Igreja, as interpretações são livres. Fala-se que a igreja vai arcar com os custos daquilo que vier a ser feito com a capela (reforma ou nova construção). Mas a igreja precisa demonstrar se tem capacidade financeira para tanto. A área onde a capela se localiza, é pública. Se a Prefeitura é quem vai bancar, o prefeito deve explicações à cidade.
CAPELA (IV)
A história da capela do Rosário começou a sofrer reviravoltas no início dos anos 1970, quando a construção original foi derrubada para abrigar a primeira rodoviária da cidade. Em 1992, por questões político-eleitoreiras, construiu-se uma pequena réplica, a pedido de uma fiel que disse, à época, ter recebido um recado dos céus para que a igrejinha voltasse ao Largo do Rosário. Quando o atual prefeito estava no cargo, em seu segundo mandato, sem nenhuma explicação plausível, mandou derrubar a réplica e, às expensas do dinheiro do povo, construiu a atual capela. Agora, ao que parece, vai ao chão de novo.
CAPELA (V)
Se a iniciativa de agora for construir outra, a própria comunidade católica vai estranhar, ainda mais se os custos forem cobertos pela paróquia local. A capela não tem expediente diário, não tem pároco, permanece a maior parte do tempo fechada e fica a poucos metros da igreja matriz. Já que ela existe, por que derrubá-la? Qual o motivo para uma quarta intervenção no local?
CAPELA (VI)
A reforma ou nova construção, seja lá o que for, deve ser investigada pelo Ministério Público e trazer à luz todas as explicações devidas e necessárias. Uma obra não custa pouco dinheiro. Assim como a Diocese de Bragança tem que emitir nota, explicando quais os motivos para se construir uma nova capela. Isso, se realmente for a igreja que arcará com esses custos.
CAPELA (VII)
Se essa reforma, entretanto, tiver dinheiro público, a questão é mais grave e o prefeito deve ser responsabilizado. A Prefeitura tem problemas urgentes a serem resolvidos e que demandam muito dinheiro, o que certamente a impede de disponibilizá-lo a esse tipo de obra, pois se assim for, dará o direito de também os evangélicos reivindicarem a construção de um templo com dinheiro público, bem como os umbandistas, a edificação de ‘terreiros’. Igualdade de direitos. Religião, cada um tem a sua. Mas o dinheiro público é para atender a todos.

A FOLHA
Para tentar explicar os gastos de R$ 500 mil com a folha de pagamento da Secretaria de Esportes e Cultura no primeiro semestre deste ano, que foi manchete deste jornal depois de denúncia do vereador Wilson Sorriso, o vereador Carlos Augusto Forti, líder do prefeito, voltou a falar sobre o tema e fez comparações com os gastos da mesma pasta no governo anterior. Disse que gastou-se mais na administração Márcio Pampuri. No entanto, não revelou quantos funcionários comissionados tem a Secretaria, e a razão pela qual, seja no ano passado, ou neste, se gasta tanto com a folha, pois é de conhecimento público que a pasta não tem um mínimo de estrutura. O vereador Gusto precisa beber na fonte de quem sabe o que fala e se atentar para uma colocação ímpar do ex-prefeito de São Paulo, que deveria daqui em diante nortear os seus discursos: “Atribuir responsabilidades à gestão anterior, sete meses depois da posse, é um clássico recorrente de quem se propunha apenas ser um gestor e acabou sendo um político do lado errado da história”.

NEBULOSOS
Tudo aquilo que envolve dinheiro público em Mairiporã nem sempre é devida e minuciosamente explicado. Essa prática precisa acabar. Questões relativas ao terminal rodoviário (que caiu mesmo antes de ser inaugurado) o que demandou mais gastos para refazê-lo, ao prédio do Centro Educacional (que está interditado sob ameaça de desabamento) e o novo hospital, que está fechado depois de encerradas as obras ao custo de R$ 9 milhões, seguem até hoje sem explicação. Questões nebulosas.
O SITE (I)
O site oficial da Prefeitura, a julgar pelo conteúdo, só tem uma, de duas explicações: ou os responsáveis pela sua atualização demonstram preguiça em fazê-lo, ou realmente é o retrato da administração do prefeito Aiacyda. Ou seja, nada se fez até agora. A segunda opção nos parece mais verossímil.
O SITE (II)
O site oficial da Câmara é ainda mais vergonhoso. Segue com a nota sobre a operação realizada pelo Ministério Público em julho do ano passado e, para leitura, o orçamento da cidade também do ano passado. E mais, a convocação para a segunda audiência pública sobre a LDO, realizada em 1º de junho último. Quem quiser ficar bem ‘mal’ informado, basta acessar o site.

 

 

 

 

 

 

 

A SABEDORIA
Ao fazer uso da palavra na sessão legislativa de terça-feira desta semana, o vereador Nando Rachas Ribeiro disse em tom professoral: “tem que respeitar o prefeito porque ele sabe mais que a gente”. A gente quem, cara pálida? Se essa afirmativa do vereador fosse verdadeira, estaríamos irremediavelmente perdidos. Por sorte, não é.
BACIADA
Conversas de bastidores apontam que Mairiporã deverá ter uma quantidade de candidatos a deputado muito além da imaginada. Ou seja, a coisa vai ser como comprar legumes na feira livre, de ‘baciada’. Todos têm direito de sair candidato, isso é inegável. Resta saber de onde sairá o dinheiro para essas campanhas.
NÃO VAI
Ao que parece o filho do prefeito, que também é secretário de Obras, definitivamente não vai se lançar candidato a deputado federal. Logo após a posse do pai no Palácio Tibiriçá, a conversa era de que iria enfrentar o ex-vereador Aladim, este sim confirmado na disputa, mesmo faltando muitos meses para as convenções partidárias. O que levou o ‘rebento’ do alcaide a desistir ainda não foi explicado, mas sem dúvida a falta de respaldo popular deve ter tido peso maior.
TRANSPARÊNCIA
O relatório final da Comissão de Assuntos Relevantes que foi lido na sessão da Câmara da semana retrasada, sobre fiscalização nas clínicas de recuperação de dependentes químicos instaladas na cidade, muitas delas com ajuda financeira do dinheiro público, não revelou nomes. Apenas disse que muitas, até clandestinas, não atendiam à finalidade. Esta semana, o Tribunal de Contas do Estado divulgou a ‘lista negra’ das instituições assistenciais e entidades que prestam serviço público e que estão impedidas de receber recursos estaduais e municipais, pois respondem processo no órgão, e nela não consta nenhuma sediada no município. Seria oportuno que os vereadores que integraram a comissão, para maior transparência do contido no relatório, levassem a conhecimento público aquilo que de errado registraram em relação ao objeto da investigação. E dessem nomes aos bois.
DECORATIVA
Na cidade de Sorocaba o prefeito nem bem esquentou lugar e pode ser cassado pela Câmara. E o motivo é inusitado: ele expulsou a vice-prefeita de seu gabinete e a proibiu de entrar no Paço Mu nicipal. O assunto ganhou as ruas, chegou ao Tribunal de Justiça do Estado e de origem a uma Comissão Processante na Câmara de Vereadores. Em Mairiporã isso jamais vai ocorrer. Desde que por aqui passaram os bandeirantes desbravadores que vice não apita nada. Apenas recebe um ‘gordo’ salário ao final de cada mês.

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