Casa da Mãe Joana 

Invadir seara alheia, já de algum tempo, virou prática entre os poderes constituídos nesta Nação de desdentados e famintos, de bandidos com grife e facções criminosas poderosas. 

Todo mundo manda, coletiva ou individualmente, todo mundo decide, em grupo ou monocraticamente, embates entre eles se tornaram regra, e a famosa frase, ‘sabe com quem está falando (ou mandando)’ tem sido usada como instrumento de coerção. 

Os três poderes, Executivo, Legislativo (Congresso Nacional) e Judiciário (Supremo Tribunal Federal) transformaram o País numa autêntica arena romana, e pelo que se viu até agora, não há uma só voz racional a dar um basta nessa verdadeira ‘casa da mãe joana’ em que se transformou o Brasil. E cabe aqui desculpas antecipadas à ‘mãe joana’, que não ousou chegar a tanto na chefia do seu prostíbulo. 

Um ingrediente ainda bastante utilizado nessa tentativa de autodestruição dos poderes, é a corrupção, endêmica desde que Pedro Álvares Cabral aportou por terras tupiniquins, que segue firme e forte, cada vez mais criativa, e protagonizada pelos ‘honoráveis’ bandidos de sempre. 

Lições recentes não foram aprendidas (agora temos dois políticos que ocuparam a presidência da República que ostentam em seus currículos a função nada nobre de ‘presidiários’), muito pela impunidade que ganhou força em meio a disputa pelo poder. Afinal, quem manda no País? Ou melhor, quem cumpre constitucionalmente o papel que lhes cabe? 

A isso tudo se junta as Forças Armadas, encurraladas e instadas a se defender de ações perpetradas por malucos fardados. 

A cada semana, os três poderes se permitem ao enfrentamento público, com o intuito único de demonstrar poderio. Um País afeito somente a caciques. 

A frase lapidar do jornalista Diogo Mainardi serve à perfeição diante do comportamento asqueroso da classe política brasileira: “No Brasil não tem partido de direita, de esquerda, de centro, de nada. O que há é um bando de salafrários que se junta para roubar.” 

Ano que vem será a hora de trocar o Congresso e a presidência da República. Se isso não ocorrer, o Brasil merecerá o que vier e, para quem puder, o Paraguai será o paraíso mais próximo. 

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