A copa do mundo se aproxima

Há um tempo próprio para certas emoções. Elas não se anunciam rapidamente, pois chegam devagar, como quem respeita o coração de uma cidade como a nossa ou de um país inteiro. E assim começa mais um ciclo que, a cada quatro anos, transforma o Brasil em algo maior do que si mesmo. Não é apenas futebol. Nunca foi. É quase um estado de espírito coletivo.

A Copa do Mundo se aproxima, e com ela aquele sentimento difícil de explicar, mas fácil de reconhecer. Ele mora na memória. No meu caso, tem endereço certo: 1994. Eu tinha 12 anos quando vi o Brasil conquistar o tetracampeonato. Lembro da tensão dos pênaltis, da vibração que atravessava as paredes, dos rostos atentos e da explosão contida que virou alegria quando a bola enfim encontrou o destino que todos desejavam.

Ironicamente a Itália, nossa adversária da final naquele ano, está fora pela terceira vez e justamente nos Estados Unidos. Não foi apenas um título, foi um marco afetivo. E talvez por isso, esta nova edição, também em solo norte-americano, carregue uma camada extra de nostalgia, como se o tempo resolvesse fazer uma curva para nos permitir revisitar o que fomos.

E enquanto o calendário avança, o país começa a dar sinais. São discretos no início, quase tímidos. Uma bandeira aqui, outra ali. Um comércio que já ensaia as cores verde e amarelo. Uma conversa mais frequente sobre escalações, expectativas, convocações.

A presença ou não do Neymar. Até que, sem que se perceba exatamente quando, tudo muda. As ruas ganham cor, as janelas ganham orgulho e o cotidiano ganha um motivo a mais para sorrir.

Em cidades como Mairiporã, esse movimento ganha um charme particular. Há algo de genuíno na forma como as pessoas se entregam ao futebol. Não é performance, é pertencimento. É vizinho que vira comentarista, é família que se reúne, é bar que vira arquibancada. A cidade, que já tem em sua essência gostar tanto de futebol e ter tantos campos nos seus primórdios, promete viver dias intensos. Porque quando o assunto é Copa do Mundo, há uma magia diferente no ar. Uma espécie de pacto silencioso de esperança.

E é ela, a esperança, que sempre entra em campo antes mesmo da bola rolar. A esperança da sexta estrela. De mais um capítulo para ser contado, lembrado e, quem sabe, revivido daqui a muitos anos por alguém que hoje ainda tem 12. Porque a Copa é isso: um elo entre gerações, um instante em que o Brasil se reconhece em si mesmo.

E quando a bola finalmente rolar, não será apenas um jogo. Será, mais uma vez, o país inteiro jogando junto. Eu já comprei as camisas para a turma lá de casa e estou morrendo de vontade de usar. A azul é bem diferente e eu adorei a minha. Acho que mais um tempinho, terei também a canarinho. Afinal, pretendo que tenhamos oito jogos até o título. Espero você também, caro leitor, torcendo e com esperança nos olhos para o grito na garganta.

Ver nossos Hermanos vencendo em 2022, foi dolorido. Espero que tenha chegado a nossa vez.

 

Luís Alberto de Moraes – @luis.alb – Autor do livro “Costurando o Tempo – dos Caminhos que Passei”

 

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