Moralidade pública

A sessão de terça-feira, de forma inequívoca, escancarou antecipadamente que os vereadores que apoiam o prefeito vão aprovar o projeto de autoria do Executivo, que autoriza a permuta de imóveis localizados na avenida Tabelião Passarella. Um desses edis, de um cinismo absurdo, disse que a Câmara só autoriza, quem faz o negócio é o prefeito.
O indecoroso posicionamento causa estranheza, pois segundo o vereador Doriedson Freitas, o projeto que será votado nas próximas semanas, ao que parece com aprovação anunciada, é o mesmo que foi rejeitado no ano passado. “O texto é o mesmo, até as vírgulas”, disse o parlamentar.
Se naquela oportunidade a maioria encontrou motivos suficientes para achar que o negócio não era bom para o município, o que mudou em poucos meses? Que interesses existem e que não podem ser tornados públicos, que vai possibilitar a permuta?
Segundo o mesmo Doriedson Freitas, a permuta vai gerar um prezuíjo de mais de R$ 3 milhões aos cofres públicos, e que não há detalhamento técnico no projeto. A alegação dos aliados do prefeito, de que há um parecer de perito judicial acostado ao projeto não é razão para que outros pareceres possam existir, pois o tal perito foi contratado por uma das partes interessadas na troca.
Se impõe que  o Ministério Público seja chamado a investigar essa operação. Os vereadores que apoiam o prefeito aprovam projetos sem debatê-los ou questioná-los, como fizeram no empréstimo de R$ 10 milhões que a Prefeitura tomou junto ao Banco do Brasil e que começará a ser pago pelo próximo prefeito, sem que as comissões permanentes opinassem e os prazos determinados fossem cumpridos.
O princípio de Moralidade é fundamental na administração pública para quem tem vergonha e é honesto. Essa imoralidade que se pretende praticar pela Câmara de Mairiporã é um desrespeito à população.
Se o projeto é o mesmo de 2018 (nem as vírgulas foram mudadas, segundo o vereador Doriedson) e foi considerado inadequado e que traria prejuízos aos interesses do município, como explicar a mudança de comportamento da base que apoia incondicionalmente o prefeito? Fica a impressão (quase certeza), que há interesses inconfessáveis em toda essa história.

Posts similares

  • O jeitinho dá um jeito

    O episódio do cadastramento biométrico, cujo prazo encerrou-se no dia 19 de dezembro do ano passado, é mais um exemplo inequívoco de que leis não são cumpridas, acordos não são respeitados e vale o improviso, o jeitinho. Aliás, jeitinho que neste País dá jeito a tudo. O cadastramento biométrico levou milhares de pessoas às portas…

  • Há 50 anos

    Poetas, escritores, autores e músicos sempre tiveram na Lua uma inesgotável fonte de inspiração. Até Chiquinha Gonzaga, a pioneira entre as mulheres artistas, não resistiu e compôs uma das imortais obras do cancioneiro popular, que começava com os versos… “Oh, lua branca de fulgores e de encanto Se é verdade que ao amor tu dás…

  • As peças se movem

    Pode parecer que outubro de 2020 ainda está longe, mas politicamente falando está bem mais perto do que parece. Dissemos em editorial anterior que o xadrez político começou a mexer muitas peças assim que terminaram as eleições de outubro, ainda em seu primeiro turno. A disputa pelo Palácio Tibiriçá daqui dois anos certamente vai ser…

  • Bando de milionários

    EDITORIAL Quem teve o privilégio de viver e torcer pelo futebol brasileiro nas décadas de 1960, 1970 e até parte dos anos 1980 pode hoje se considerar um privilegiado, capaz de despertar inveja nas novas gerações de torcedores da seleção brasileira. Foi-se o tempo em que os jogadores honravam a camisa da Seleção e proporcionavam…

  • Negacionistas?

    O termo que dá título a este editorial, segundo o dicionário, significa ‘ato de negar-se a acreditar em uma informação estabelecida em áreas como a ciência e a história”. No decorrer desta semana, ao ser cobrada por estratégias para evitar o desperdício de doses da vacina contra a dengue, com prazo de validade até o…