Perdidos

Eu e Malu estávamos atrasados, ou pelo menos achávamos isso. O compromisso era às 14h30, já eram 13h50 e ainda nem tínhamos saído do prédio. Aliás, sair do prédio não foi tarefa rápida, já que, dos cinco elevadores, apenas dois estavam funcionando. Quando saímos, andamos (na verdade, corremos) até um ponto de ônibus. Enquanto o cadarço de um do par do meus tênis desamarrava por conta própria, sentimos os primeiros pingos de uma chuva fina, mas veloz. Entramos no ônibus indicado pelo aplicativo, um desses que mostram qual é o caminho mais rápido a se seguir. O ônibus deu a partida e Malu não parava de olhar para a tela do celular. Droga, entramos no ônibus errado? Não, entramos no ônibus certo… Porém, na direção errada.
Depois de atravessar – correndo, mais uma vez – uma rua movimentada, onde uma perua escolar parou para nos dar passagem, conseguimos entrar no ônibus certo. É verdade que eu quase não consegui já que não corri tanto quanto Malu. Por pouco o motorista, o ônibus e, claro, Malu não foram embora, me deixando para trás. Suados, molhados da chuva e esbaforidos, foi que viajamos até um hospital de reabilitação, onde faríamos algumas entrevistas para um projeto da faculdade.
Tudo correu bem enquanto coletamos o material para o trabalho. Na volta, usamos o mesmo aplicativo para descobrir a direção que devíamos seguir. Ele dizia que poderíamos ou andar por cerca de vinte minutos até a estação de metrô mais próxima, ou pegar uma série de ônibus até a Avenida Paulista. Optamos pelos ônibus (quem, em sã consciência, vai escolher andar por vinte minutos?).
O ônibus no qual entramos era grande e, além do motorista e do cobrador, apenas um único passageiro estava ali. Parecia que balançava mais que o normal e tinha um chão não muito limpo. Algum tempo depois percebemos que simplesmente não sabíamos onde estávamos. A situação estava tão precária que, quando decidimos desembarcar, o motorista perguntou: “Vocês vão descer aqui mesmo?”. Saímos do ônibus direto para o meio de uma avenida, sem pessoas, casas ou loja, apenas um carro passando atrás do outro. Andamos uma subida que me fez arrepender de não optar pelos vinte minutos até chegarmos na “civilização”, onde, finalmente, entramos em uma estação de metrô.
Às vezes, andar é a melhor maneira de chegar onde se quer ir.

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