Máscaras para inglês ver

A pandemia não terminou e essa terrível doença ainda mata. Mas é fato que o número de mortes é extremamente baixo e que a porcentagem de vacinados com duas doses no Brasil, ultrapassa os 71%. Apesar desta última variante ter se mostrado extremamente contagiosa e ainda provoque muitas restrições pelo mundo, me parece que acabou aquele pavor da Covid-19 para a maior parte das pessoas.

Na Dinamarca, por exemplo, desde o início do mês, o governo local só impõe o uso de máscaras em aeroportos e hospitais. O dinamarquês já leva a vida normalmente e trata como endemia, semelhante a uma gripe comum, os efeitos do coronavirus.

Sem hipocrisia, você que também anda por aí e não sai de casa sem sua máscara, já percebeu que por aqui a coisa já está bem semelhante e esse exemplo europeu?

A utilização da máscara me parece atrelada a obrigatoriedade e não a preocupação. Preciso ser justo, pois em muitos locais, principalmente no comércio, talvez pelo receio de multas, ainda há a orientação para ter acesso apenas com a proteção. O aplicativo Conect-SUS está na crista da onda e ganhou grande notoriedade para comprovação das doses das vacinas. Os totens de álcool em gel infelizmente estão cada vez mais obsoletos e as fotos nas redes sociais demonstram a cada dia uma vida quase normal como a do início de março de 2020.

Cada vez menos as máscaras cobrem nariz e boca. Estão migrando para os queixos. Cansei de ver gente colocando a máscara apenas para fazer foto, que evitasse alguma crítica hipócrita. Discorde se for capaz e argumente, mas posso dizer que cuidados mesmo, como os de antes, envolvendo distanciamentos e máscaras, são raros.

Parecem até aquelas leis abolicionistas da primeira metade do século XIX, criadas para que os ingleses acreditassem que o Império estivesse preocupado com os direitos humanos, enquanto de fato a escravidão era uma triste realidade e naquele momento ainda longe do fim.

 

Luís Alberto de Moraes tem formação em Letras, leciona há quase vinte anos e prepara o lançamento de um livro de crônicas e poemas. @luis.alb

 

 

Posts similares

  • Castelo RÁ-TIM-BUM

    O maior sucesso da TV Cultura quando se trata de conteúdo educativo, proporcionava picos de audiência até mesmo em reprises. Produzido entre 1994 e 1997, o Castelo RÁ-TIM-BUM marcou a infância de muita gente e é um dos mais comemorados para a marca de 30 anos da emissora. Depois da temporada na TV, a turma…

  • Sobre os temperamentos

    Aprendi adolescente sobre os temperamentos dentro da minha formação religiosa, mas com as tecnologias e a internet este assunto parece mais recorrente do que nunca através dos vídeos, principalmente os cortes, na maioria vindos de gente que não entende nada, mas presta autoajuda virtual para ganhar seguidores e visualizações. Acho saudável democratizar estudos sérios escondidos…

  • Disfarces do cotidiano

    Estamos sempre disfarçando. Como dizemos no teatro: personas somos. A vida é um grande palco onde os papéis mudam, mas o cansaço permanece. Fingimos compreensão, serenidade, força. Depois de ver partir quem amamos, é necessário vestir a máscara da normalidade e voltar à rotina, como se tivéssemos entendido que a vida é assim mesmo, feita…

  • Para que a vida seja

    O grande desafio contemporâneo do meio corporativo não é mesmo fomentar a vontade de vestir a camisa, ter atitude ou a chamada proatividade. O mundo corporativo anda cheio desses clichês, mas estou convencido de que desafio mesmo é dar sentido a tudo isso. Tive a oportunidade aqui de discorrer os significados do amor pelos olhos…