Pizza no forno

Não é preciso ser vidente, adivinho, tarólogo ou cartomante para saber que o relatório aprovado pela Comissão Especial de Inquérito (CEI) sobre a aquisição e funcionamento do semáforo, quando chegar a plenário para votação, vai esbarrar na falta de votos para que se permita a abertura de uma Comissão Processante contra o prefeito.

O parecer final  que consta no relatório pede a incriminação de Aiacyda por impobridade administrativa, pois foi o ordenador das despesas de compra, instalação e funcionamento das unidades de semáforo adquiridas.

O Regimento Interno da Casa de Leis diz que para essa aprovação se concretizar serão necessários 2/3 dos votos, ou seja, 9 parlamentares. Isso é praticamente impossível, pois seis edis formam na tropa de choque do prefeito, mesmo que dois deles tenham votado a favor do relatório (afinal, o ano é eleitoral e o voto popular é muito cobiçado) e um terceiro nem as caras deu na reunião que concluiu os trabalhos.

A CEI comprovou que houve, no mínimo, imprudência administrativa ao se torrar o dinheiro público num equipamento que não é essencial para a cidade, longe disso, e causou danos terríveis ao já caótico trânsito de Mairiporã. Também foram cometidos absurdos como implantar essa sinalização sem nenhum projeto a lhe dar sustentação. Num dos depoimentos, o titular do Trânsito disse que o projeto foi elaborado ‘por ouvir dizer’, sem nada no papel. Para coroar essa afronta à população, nomeou-se um pintor como responsável técnico.

São motivos mais que suficientes para comprovar a improbidade do burgomestre, que ao prestar seu depoimento jogou a responsabilidade sobre a Secretaria de Mobilidade Urbana e, no mais, não sabia de nada. Muito conveniente não fosse ele o responsável pela liberação dos recursos.

O relatório ainda não tem data para ir a plenário e ser deliberado pelos vereadores. Mas desde já sente-se o cheiro de uma enorme pizza, que alcança até mesmo os narizes mais insensíveis.

O documento indica que independente de aprovação na Câmara, cópias sejam enviadas ao Ministério Público e Tribunal de Contas do Estado.

Se houver punição ao prefeito, não será pela Câmara, mas por outros órgãos.

 

Posts similares

  • 132 anos: inspiração para fazer diferente

    Difícil imaginar que nestes tempos sombrios, de dúvidas, de economia estagnada, pessoas amedrontadas e maus políticos, sobrou espaço para falar sobre os 132 anos de Mairiporã, que se comemora neste sábado, 27 de Março. Se há muito ou pouco a comemorar, não podemos abandonar o desejo de ver a cidade buscar o protagonismo que dela…

  • “L”

    Aquele céu de brigadeiro que o presidente Lula esperava encontrar desde o início de seu terceiro mandato, rapidamente se transformou em tempo nublado, sujeito a chuvas e trovoadas. As últimas pesquisas sobre o seu governo mostram números distantes daquilo que é considerado minimamente ideal, assim como a maior parte da classe artística, que o apoiou…

  • Bolas da vez

    É inacreditável e condenável o comportamento dos políticos e a mídia, de modo geral, que colocam em evidência assuntos que não têm importância alguma para a população. O que é que o povo brasileiro tem a ver com as jóias que a Arábia Saudita presenteou o governo do Brasil ou o presidente Jair Bolsonaro, ou…

  • Fidelidade política

    A fidelidade é uma moeda rara e valiosa no meio político. A infidelidade é como um vaso trincado. Já dizia o poeta João Nogueira em uma de suas composições, “Se ela fez com ele, vai fazer comigo, exatamente igual.” E assim tem sido as traições ao longo da história. Enquanto órgão que registra a história…

  • Puro deboche!

    O primeiro ano de atuação dos vereadores foi melancólico. Não usaram das prerrogativas para fazer questionamentos, principalmente os que envolvem dinheiro público, e usaram a maior parte do tempo para, de forma escrachada, cumprimentar pessoas que estavam na plateia, trocas efusivas de parabéns, apresentação de projetos sem alcance social, farta distribuição de honrarias e um…

  • Multa como instrumento educativo ou arrecadatório?

    O crescimento de quase 15% na arrecadação com multas de trânsito em Mairiporã reacende um debate antigo, mas cada vez mais atual: até que ponto a aplicação de penalidades cumpre seu papel educativo e de segurança viária, e a partir de que momento passa a assumir contornos de uma verdadeira “indústria da multa”? Em tese,…