Mairiporã é a cidade que tem a população mais envelhecida da região

Mairiporã é uma cidade em constante transformação, e uma delas diz respeito à sua população, que vem mudando nas últimas duas décadas. É a que tem a população mais velha da Região do Cimbaju, de acordo com os dados do Censo 2022. São 15.575 moradores com 60 anos ou mais, o equivalente a 16,5% do total de habitantes.

É o maior percentual entre os cinco municípios que formam a região, colocando Mairiporã no topo de um ranking que revela uma mudança cada vez mais evidente na composição das famílias e que traz novos desafios para os serviços públicos.

Mairiporã aparece à frente de Caieiras, onde 14,4% dos moradores estão na faixa etária a partir dos 60 anos (13.752 pessoas), de Franco da Rocha, que aparece em terceiro lugar, com 12,7% (18.450 moradores), de Francisco Morato, com 12,3% (20.368 residentes), e Cajamar, o município menos “grisalho”, com 10,6%, equivalente a 9.827 pessoas.

Esses números fazem referência à população que as cidades tinham em 2022, de acordo com o Censo do IBGE: Francisco Morato (165.139), Franco da Rocha (144.849), Caieiras (95.032), Mairiporã (93.853) e Cajamar (92.689).

Os dados populacionais evidenciam que, na prática, Mairiporã já tem mais pessoas idosas do que crianças e adolescentes considerados no cálculo do indicador. Essa tendência vem se confirmando ao longo dos últimos dez anos.

E o envelhecimento da população traz uma pergunta inevitável: Mairiporã está preparada para envelhecer junto com seus moradores?

Mudança de olhar – A resposta não pode ser medida apenas pela quantidade de médicos, consultas ou leitos hospitalares disponíveis. O envelhecimento populacional exige uma mudança de olhar sobre a própria cidade. Uma população com mais idosos demanda políticas públicas específicas e, principalmente, planejamento de longo prazo.

Uma cidade preparada para seus moradores mais velhos precisa pensar, por exemplo, na mobilidade urbana. Calçadas em boas condições, travessias seguras, transporte coletivo acessível, iluminação adequada e espaços públicos que possam ser utilizados com segurança deixam de ser apenas questões de infraestrutura e passam a ser instrumentos de inclusão e qualidade de vida. Para quem tem dificuldade de locomoção, uma calçada irregular pode representar muito mais do que um simples transtorno.

A habitação também entra nessa equação. Casas e bairros precisam oferecer condições para que o idoso possa continuar vivendo com autonomia, inclusive quando surgirem limitações físicas. E, quando isso não for possível, o município precisa contar com uma rede de assistência capaz de atender idosos que vivem sozinhos, famílias em situação de vulnerabilidade e aqueles que necessitam de cuidados permanentes.

Há ainda uma questão que costuma receber menos atenção: o isolamento social. Envelhecer não significa apenas lidar com doenças ou limitações físicas. A perda de vínculos familiares, a solidão e a falta de atividades de convivência podem comprometer profundamente a qualidade de vida. Centros de convivência, atividades culturais, esportivas e de lazer e espaços de participação social são, portanto, tão importantes quanto uma consulta médica.

O município também precisa considerar o impacto dessa transformação sobre as famílias. À medida que aumenta a população idosa, cresce igualmente a necessidade de cuidadores, sejam eles profissionais contratados ou familiares que acabam assumindo essa função. Em muitos casos, são filhos que precisam conciliar trabalho e cuidados com pais idosos. Uma política pública de envelhecimento precisa enxergar também essas pessoas.

Outro aspecto é a autonomia econômica. Nem todo idoso é dependente ou está fora do mercado de trabalho. Muitos continuam trabalhando, empreendendo, contribuindo para a renda familiar e participando ativamente da sociedade. A cidade que envelhece precisa combater a ideia de que a terceira idade representa apenas uma despesa para o poder público e reconhecer o potencial social, cultural e econômico dessa parcela da população.

Isso significa que o planejamento municipal precisa considerar o envelhecimento em praticamente todas as áreas da administração. Saúde, assistência social, transporte, urbanismo, habitação, esporte, cultura, educação, segurança e desenvolvimento econômico precisam conversar entre si.

Mairiporã ainda tem a oportunidade de se antecipar a uma transformação que, em outros lugares, já impõe enormes desafios. Os números do Censo 2022 não são apenas uma fotografia do passado. Eles mostram uma tendência demográfica que deverá se aprofundar nos próximos anos.

A questão, portanto, não é se Mairiporã terá uma população cada vez mais idosa. Isso já está acontecendo. A questão é saber se a cidade está planejando hoje o município em que seus próprios moradores – inclusive os que ainda são jovens – irão envelhecer amanhã.

Porque uma cidade preparada para os idosos não beneficia somente quem já chegou aos 60 anos. Ela é, na verdade, uma cidade preparada para todos. (Juarez César/CJ – Foto: Getty Images)

 

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