PISA 2025: o Brasil segue tentando chegar ao nível básico
ÉSSIO MINOZZI JR.
O PISA – Programa Internacional de Avaliação de Estudantes – é uma das maiores avaliações educacionais do mundo. Ele testa estudantes de 15 anos para medir se conseguem usar a matemática, leitura e ciências em situações reais.
Os dados oficiais do PISA2025 foram lançados oficialmente em 8 de setembro de 2026 através de informações no Portal Oficial do PISA-OCDE, acompanhado do relatório completo PISA 2025 Results (volume I), base desse artigo. O Brasil empata com o Líbano em matemática, com o Azerbaijão em ciências que são países devastados por crises humanitárias terríveis.
Nas áreas principais o Brasil ficou em 71º lugar em Matemática entre os 89 países com dados na disciplina. Entretanto essa não é a condição mais preocupante, pois o destaque negativo foi que os estudantes brasileiros não alcançaram o nível básico em Matemática, o que indica que essa geração chega com dificuldades para interpretar, raciocinar e resolver problemas básicos.
A média nacional brasileira registrou 409 pontos em Ciências, 408 em Leitura e 377 em Matemática, ficando abaixo da média da OCDE – Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico. A OCDE é a organização composta majoritariamente por nações desenvolvidas com alto padrão de vida e economia de mercado.
O Brasil está há dez anos estagnado num patamar baixo com 377 pontos em 2015, em 2022 com 379 e 377 em 2025. No resultado do PISA 2025 em Matemática o Brasil ficou atrás de seis (6) países da América Latina que tiraram notas maiores que a nossa: Costa Rica, Chile, Colômbia, Uruguai, Peru e México.
No PISA, o patamar básico de proficiência é o nível 2, o mínimo para utilizar números fora da escola. Por exemplo, como comparar preços no mercado ou converte unidades, sem que ninguém diga qual conta usar. Só 28% dos estudantes brasileiros chegam lá. Na média dos países da OCDE, os grupos das economias mais desenvolvidas que é aplicado a avaliação, são 65%.
A dificuldade em matemática não aparece isolada. No Brasil 43,8% dos estudantes ficaram abaixo do nível mínimo nas três áreas ao mesmo tempo, contra 19,7% na média da OCDE, que significa mais que duas vezes abaixo!
Por outro lado, o problema não é só nosso. Os dados indicam em 2025, os países ricos, obtiveram o pior resultado em 25 anos. Enquanto o Brasil não progride, os países que servem de referência começaram a andar para trás.
]Nos países da OCDE, o desempenho médio em 2025 foi o pior desde que o exame começou em 2000. A pandemia não explica sozinha essa queda. Em leitura, a tendência negativa já aparecia por volta de 2012.
A OCDE observa que mais tempo de tela, mesmo leitura por prazer e notas mais baixas caminharam juntos. A leitura por prazer importa porque ler não é uma habilidade que o cérebro traz pronta. Ao contrário da fala, a leitura é aprendida. Com prática, o celebro adapta circuitos de visão e linguagem para reconhecer palavras e entender textos.
E justamente essa prática que vem diminuindo entre os adolescentes prejudicando desempenho em leitura, mas também em matemática, pois antes de fazer a conta é preciso entender o enunciado, separar as informações e descobrir o que está sendo perguntado. Quando a aprendizagem fracassa, não é apenas o desempenho que reduz, é o futuro que perde oportunidades.
Essio Minozzi Jr. licenciado em Matemática e Pedagogia, Pós-Graduado em Gestão Educacional – UNICAMP e Ciências e Técnicas de Governo – FUNDAP, foi vereador e secretário da Educação de Mairiporã.