Dia Internacional da Preguiça

“O tempo que você gosta de perder não é tempo perdido.” (Bertrand Russell)

Você sabia que existe o Dia Internacional da Preguiça? Pois é, e não, não é feriado (infelizmente). A data, celebrada em 7 de novembro, surgiu na Colômbia como um protesto bem-humorado contra o ritmo frenético da vida moderna. E se há algo que precisamos urgentemente reaprender, é a arte de desacelerar.
Vivemos em um tempo em que o descanso virou quase um pecado. O mundo atual cobra produtividade até no lazer: se vai ler, que seja um livro “transformador”; se vai correr, que registre o tempo no aplicativo; se vai viajar, que poste fotos inspiradoras com legenda motivacional. É o que o filósofo Byung-Chul Han, em sua obra A Sociedade do Cansaço, chamou de era do desempenho, ou seja, todos querem (ou precisam parecer) estar rendendo o tempo todo. Já citei este filosofo aqui outras vezes …
O resultado? Uma legião de exaustos profissionais. Pessoas que fazem mil coisas e sentem que não fizeram nada. Gente que acorda cansada, dorme culpada e sonha com uma segunda vida onde possa, enfim, tirar um cochilo sem remorso. A “preguiça”, tão injustiçada, talvez seja apenas o corpo e a mente pedindo uma trégua.
Pense bem: quando foi a última vez que você passou uma tarde sem fazer nada? Sem olhar o relógio, sem atualizar o e-mail, sem planejar o futuro? Até o domingo, que antes era sinônimo de descanso, virou o dia da faxina, do mercado e da reunião de família com discussão sobre política. Vivemos tão acelerados que até o silêncio causa estranhamento.
A psicologia lembra que o descanso é uma necessidade, não um luxo. O ócio criativo como dizia Domenico De Masi é o espaço onde a mente respira e as ideias florescem. A pausa não é perda de tempo, é o tempo se reorganizando dentro de nós. E o corpo, como qualquer máquina, precisa recarregar. A diferença é que cobramos 100% de energia de um ser humano que vive no modo “economia de bateria”.
Reflexão – Então, no Dia Internacional da Preguiça, que tal praticar um pequeno ato de coragem? Tire um cochilo sem culpa. Desligue o celular. Deite na rede. Observe a vida acontecendo lá fora. Porque, no fundo, descansar também é um ato de resistência em um mundo que nos quer cansados, apressados e sem tempo para ser feliz. “Às vezes, não fazer nada é exatamente o que você mais precisa fazer”.

Raphael Blanes: Servidor Público Municipal, formado em Filosofia, Gestão em Saúde Pública, Técnico em Vigilância em Saúde com ênfase no Combate às Endemias, Gestão Hospitalar, Saúde Única (One Health), RH e Desenvolvimento de Equipes e graduando em Psicologia. Instagram: @raphaelblanes Email: blanes.med@gmail.com.

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