Uns desenvolvem, outros patinam

Há muitas décadas, com comportamento que beira a vassalagem, a Prefeitura de Mairiporã banca a maior parte das despesas com o fornecimento de merenda escolar para alunos da rede estadual, cuja responsabilidade é do Governo do Estado.
Em todo o período, que data desde o início dos anos 1980, a contrapartida é praticamente zero, o que torna o município responsável pela prestação do serviço sem receber nada em troca. Nos municípios com prefeitos voltados aos interesses de suas comunidades, esse tipo de relação é muito diferente, o que nos leva a acreditar que todos aqueles que passaram pelo Palácio Tibiriçá ou não tiveram vontade de mudar essa absurda situação, ou simplesmente demonstraram incompetência ao lidar com a questão.
Os recursos dispendidos por Mairiporã com a rede estadual poderiam ser destinados à Educação Municipal, não só em relação à merenda, mas em outros setores, como aquisição de uniformes e material escolar, construção ou reforma de escolas, transporte de alunos, enfim, uma série de outras melhorias voltadas aos alunos.
Se o Estado quer que a Prefeitura banque a maior parte dos custos da merenda à rede estadual, que pague por isso. Não a miséria destinada mensalmente, mas dinheiro que não comprometa os cofres da Municipalidade.
A diferença entre o prefeito daqui e os de outras localidades, está justamente na forma de agir. Aiacyda aceita pagar e nada receber em troca. Já outras cidades, impõem que o governo do Estado pague por aquilo que é de sua competência.
Semana passada o prefeito de Bragança, Jesus Chedid, assinou convênio com Alckmin (ambos são de partidos diferentes) para o município voltar a fornecer merenda aos alunos das escolas estaduais, e como contrapartida vai receber uma creche-escola. Nada mais justo.
Como já escrevemos em outras oportunidades, o governo municipal de Mairiporã é pesado feito um elefante e com velocidade de tartaruga no trato da coisa pública. Enquanto dezenas de municípios em seu derredor se desenvolvem rapidamente, por aqui administrar é sinônimo de patinar.

Posts similares

  • Chega de mais do mesmo!

    Denunciado pelo Ministério Público sob acusação de improbidade administrativa na construção do Centro Educacional, em que também são corresponsáveis a ex-secretária da Educação, Leila Ravázio, e a empresa Geração Engenharia, que construiu a obra, o prefeito Antônio Aiacyda coleciona esta e outras situações que tem repercutido negativamente na sociedade mairiporanense. Quando ainda tinha esmagadora maioria…

  • Sem meias palavras

    Próximo de completar dois anos à frente da Prefeitura, em seu terceiro mandato, o prefeito Antônio Aiacyda não consegue realizar o básico e não há um só dia em que o jornal não receba denúncias de moradores relatando falta de limpeza em áreas públicas, mato no lugar de gramados, calçadas em desnível e esburacadas e…

  • Lento como paquiderme

    As vagas criadas para recesenadores no Brasil sempre foi um atrativo para quem precisava fazer um bico ou mesmo estar empregado ainda que por curto período. Mas esse tempo vai longe. O Censo Demográfico de 2022 caminha a passos de paquiderme, e a lentidão dos trabalhos de campo se explica pela falta de interesse das…

  • Dancinhas e chororô

    A imprensa esportiva brasileira, de forma geral, salvo raríssimas exceções, é repetitiva, cansativa e todos, indistintamente, são técnicos de futebol. Esse quadro vem de longe. Durante a Copa do Mundo do Catar foram acrescentadas outras ‘pérolas’ ao repertório, como o achismo, a adivinhação, receitas técnicas e táticas de como o Brasil deveria jogar, quais jogadores…

  • Feliz aniversário!

    São exatos 16 anos, mas a sociedade mairiporanense pode comemorar ter conquistado, nesse período, um veículo de mídia impressa com os atributos do Correio Juquery, quando se trata de qualidade de informação, credibilidade e independência de opinião. Em 2004 a cidade se ressentia da falta de um jornal que fosse além dos veículos tradicionais e…

  • Fidelidade política

    A fidelidade é uma moeda rara e valiosa no meio político. A infidelidade é como um vaso trincado. Já dizia o poeta João Nogueira em uma de suas composições, “Se ela fez com ele, vai fazer comigo, exatamente igual.” E assim tem sido as traições ao longo da história. Enquanto órgão que registra a história…