Uns desenvolvem, outros patinam

Há muitas décadas, com comportamento que beira a vassalagem, a Prefeitura de Mairiporã banca a maior parte das despesas com o fornecimento de merenda escolar para alunos da rede estadual, cuja responsabilidade é do Governo do Estado.
Em todo o período, que data desde o início dos anos 1980, a contrapartida é praticamente zero, o que torna o município responsável pela prestação do serviço sem receber nada em troca. Nos municípios com prefeitos voltados aos interesses de suas comunidades, esse tipo de relação é muito diferente, o que nos leva a acreditar que todos aqueles que passaram pelo Palácio Tibiriçá ou não tiveram vontade de mudar essa absurda situação, ou simplesmente demonstraram incompetência ao lidar com a questão.
Os recursos dispendidos por Mairiporã com a rede estadual poderiam ser destinados à Educação Municipal, não só em relação à merenda, mas em outros setores, como aquisição de uniformes e material escolar, construção ou reforma de escolas, transporte de alunos, enfim, uma série de outras melhorias voltadas aos alunos.
Se o Estado quer que a Prefeitura banque a maior parte dos custos da merenda à rede estadual, que pague por isso. Não a miséria destinada mensalmente, mas dinheiro que não comprometa os cofres da Municipalidade.
A diferença entre o prefeito daqui e os de outras localidades, está justamente na forma de agir. Aiacyda aceita pagar e nada receber em troca. Já outras cidades, impõem que o governo do Estado pague por aquilo que é de sua competência.
Semana passada o prefeito de Bragança, Jesus Chedid, assinou convênio com Alckmin (ambos são de partidos diferentes) para o município voltar a fornecer merenda aos alunos das escolas estaduais, e como contrapartida vai receber uma creche-escola. Nada mais justo.
Como já escrevemos em outras oportunidades, o governo municipal de Mairiporã é pesado feito um elefante e com velocidade de tartaruga no trato da coisa pública. Enquanto dezenas de municípios em seu derredor se desenvolvem rapidamente, por aqui administrar é sinônimo de patinar.

Posts similares

  • Deu as caras

    Durante décadas Mairiporã experimentou governantes dos mais diversos matizes ideológicos, os sem ideologias, apenas políticos, alguns politiqueiros, porém um gestor com capacidade para tirar a cidade do atraso a que foi submetida, surgiu nas eleições de 2020 e foi empossado em 2021. Os avanços proporcionados pela administração Aladim são a prova cabal que a Prefeitura…

  • A romaria eleitoral

    EDITORIAL A maioria dos partidos políticos já realizou suas convenções e definiu os candidatos que disputarão as eleições gerais de outubro. Alguns desses eventos reuniram figuras de destaque do cenário nacional, cercados de pompa e circunstância, enquanto outros transcorreram de forma bem mais modesta. Encerrada essa etapa, começa a romaria dos candidatos em busca do…

  • Sentir-se representado

    Em Mairiporã, a rotina do Legislativo parece presa a um roteiro que pouco se altera ao longo dos anos. A atuação dos vereadores, em grande medida, concentra-se em indicações recorrentes – capina de mato, poda de árvores, pavimentação de ruas, patrolamento e cascalhamento de estradas. Demandas legítimas, mas que, repetidas à exaustão, revelam mais um…

  • Seriedade em bem informar

    Ao longo de 20 anos o Correio Juquery foi o único jornal sobrevivente na cidade, o que significa que temos uma história de seriedade, credibilidade e confiança não só da parte de uma equipe que sempre se mostrou coesa e responsável quando o dever é informar, mas também, e principalmente, dos leitores e anunciantes e dos…

  • Vergonha!

    Nem o mais pessimista dos cidadãos poderia imaginar que o reinicio dos trabalhos legislativos em Mairiporã ocorresse da forma vista na terça-feira. O que se viu durante a discussão e votação de um projeto de autoria do prefeito, que pediu nova autorização para endividar ainda mais os cofres públicos, agora em mais R$ 10 milhões…

  • Custos e desafios da ‘tarifa zero’

    A proposta de zerar as tarifas do transporte coletivo urbano voltou à pauta do governo federal e, sobretudo, das prefeituras, que buscam formas de transformar a ideia em política pública sustentável para milhões de trabalhadores. Estimativas preliminares apontam que seriam necessários, em escala nacional, cerca de R$ 75 bilhões por ano para assegurar um sistema…