Continue a se sentir um idiota

O caro leitor e eleitor, que até 2019 enfrentou forte calor em filas quilométricas para atender ao chamado da Justiça Eleitoral e se cadastrar biometricamente para ter direito a votar nas eleições de 2020, deve-se sentir novamente um idiota, pois o Superior Tribunal Eleitoral acaba de determinar que os títulos suspensos por falta de biometria, estão aptos a votar. Traduzido para o bom português significa: ‘os espertos’ que não perderam tempo com a nova tecnologia, vão continuar sem cadastro, mas perfeitamente liberados para o voto.

Só num País de piada pronta, como diz José Simão, ocorre esse tipo de situação. Criam-se mecanismos, obrigam eleitores ao cadastramento mas, como reza o ‘jeitinho’ brasileiro, se o chamado não foi atendido, não se preocupe, fica o dito pelo não dito.

Diante desse descalabro, tudo em nome da ‘tal democracia do TSE’, que se resume ao voto, é que os eleitores se sentem compelidos a não votar, a só justificar ausência quando precisa do documento eleitoral para arrumar emprego público ou participar de concurso, que obtém mediante o pagamento de uma multa de R$ 3,45, é que a cada pleito diminui osinteresse pelo comparecimento às urnas. Assim como o preço do dólar e a inflação, a abstenção eleitoral cresce no mesmo ritmo.

E só num País com mentalidade tacanha, como a das nossas autoridades eleitorais, é que o voto ainda é obrigatório.

Para as eleições municipais de 2024, o amigo eleitor não se sinta de modo algum obrigado a comparecer ao cartório ou utilizar os canais do TSE para ficar em dia com a Justiça Eleitoral. Vai poder votar novamente sem cadastramento, se isso for da vontade do cidadão.

Quem cumpriu com a convocação para a biometria, perdeu um dia serviço em muitos casos, ficou por horas à fio debaixo de sol nas filas que se formaram, agora pode fazer bom uso de um antigo ditado: “nem tudo que reluz é ouro”, ou neste caso, em particular, “nem tudo que o TSE determina, vale”.

Esse imbróglio todo, como outros Brasil afora, tem um único culpado: a pandemia do coronavírus. Todas as desculpas e justificativas, inclusive para se burlar a lei, deve ser creditado à pandemia. E não se espante o amigo leitor, isso ainda vai longe.

 

 

 

 

Posts similares

  • Novo ciclo

    O prefeito reeleito, Aladim, inicia em janeiro do próximo ano um novo ciclo de governança. Com base no seu desempenho no primeiro mandato, que além de profícuo foi exitoso, reconhecido maciçamente nas urnas, é de se esperar que com sua personalidade, retidão de caráter, estilo de governar, modo de fazer política partidária, pública e administrativa,…

  • Cúmplices

    Não será a primeira vez, na história das eleições em Mairiporã, que inimigos declarados em outros pleitos se juntem na tentativa de chegar ao poder e dele se valer de forma escancarada. Fica evidenciado o desejo de cuidar apenas dos interesses pessoais, de acomodar apadrinhados e cabos eleitorais em cargos pagos com o dinheiro público,…

  • Reconhecer o sucesso

    O recado que saiu das urnas em Mairiporã deixou claro, cristalino, que a população dificilmente vai se contentar com apenas políticos investidos na função de prefeito. A preferência para mais de 78% dos eleitores é que o Palácio Tibiriçá tenha um administrador, um gestor, em toda a plenitude do termo. Administração pública é o governo…

  • Reclamar com o bispo

    O Brasil é um dos países mais pródigos em corrupção, maracutaias, fraudes e outras modalidades de patifaria com as quais os mais espertos se beneficiam. E em qualquer das modalidades está cada vez mais sofisticada, afinal, estamos na era da tecnologia. O sucesso obtido nessas empreitadas são garantidos, pois consegue ludibriar os incautos, principalmente porque…

  • Desequilíbrio?

    Não é novidade que em todo pleito municipal as peças do tabuleiro político estão melhores colocadas para aqueles que estão no poder. Seja Prefeitura ou Câmara de vereadores. Os que detêm mandato, de certo modo, saem na dianteira, com ampla vantagem sobre aqueles que desejam conquistar uma das 13 cadeiras do Legislativo, ou até mesmo…

  • Precauções com o calor, chuvas e risco de falta d’água

    Dezembro chega trazendo o contraste típico da Região Metropolitana de São Paulo: calor intenso durante o dia e chuvas fortes ao fim da tarde, muitas vezes acompanhadas de rajadas de vento, descargas elétricas e alagamentos repentinos. É um período em que a instabilidade climática se torna regra, não exceção – e por isso exige atenção…