Suas excelências de volta!

Depois de 47 dias de recesso parlamentar – que entre os mortais atende pelo nome de férias, mas com bem menos dias – suas excelências, os vereadores, retornam ao plenário para dar início ao ano legislativo de 2026. E, ao que tudo indica, nada muda.

Ao longo das últimas quatro décadas, o comportamento dos “representantes do povo” segue uma cartilha previsível, repetida sem constrangimento e, pior, sem ser questionada. O papel do vereador, na prática, continua limitado a apresentar indicações, requerimentos e moções e, de quebra, distribuir o famigerado Título de Cidadão Mairiporanense – que, longe dos tempos áureos em que reconhecia méritos reais, virou instrumento político-eleitoreiro.

A meritocracia foi jogada no lixo. Amigos, parentes e até possíveis cabos eleitorais passaram a figurar entre os “homenageados” com direito a diploma legislativo. Uma vergonha!

Enquanto isso, a propositura de leis relevantes e a discussão de temas de interesse coletivo para Mairiporã são empurradas para escanteio. E o resultado é inevitável: a Câmara Municipal, em suas sucessivas composições, alimenta o descrédito popular, reforçando a sensação de que o Legislativo existe mais para si mesmo do que para a cidade.

É claro que esse cenário não é exclusividade de Mairiporã. Em muitas cidades o modelo se repete com o mesmo conteúdo. Mas por aqui o que chama atenção é a ausência completa de qualquer rasgo de criatividade, coragem ou interesse em mudar. Quarenta anos de repetição, acomodação e irrelevância viraram marca registrada.

E tudo isso custa caro.

Cada vereador recebe mensalmente R$ 12.552,26 (sem o reajuste inflacionário) para participar de quatro sessões no mês. Um valor que, por si só, deveria exigir produtividade e compromisso com pautas concretas – não uma rotina burocrática de papelada e homenagens convenientes.

Para completar, 2026 é ano eleitoral. E isso, por si só, já sinaliza o que vem pela frente: as ações parlamentares no município tendem a ser relegadas a segundo plano. Como acontece sempre em anos de eleição, muitos vereadores vão se dedicar a candidatos a deputado estadual e federal – tanto os que buscam a reeleição quanto os neófitos em busca de espaço.

Ou seja: o plenário volta a funcionar, mas a cidade segue esperando.

 

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