Ainda que tardiamente

Em política tudo é possível. Ou impossível até. Ainda que a mudança de postura de três vereadores tenha relação, e tem, com o ano eleitoral, ela é bem-vinda. Os mandos e desmandos perpetrados pela atual administração durante três anos foi um tapa na cara da sociedade mairiporanese. O prefeito pôs e dispôs, fez e desfez de acordo com os seus interesses. Há uma lista extensa de ações que mais à frente vão se revelar nefastas às famílias de bem de Mairiporã.
Nos três primeiros anos os senhores parlamentares seguiram uma velha cartilha que há na Câmara, de propor indicações cujos textos são os mesmos desde que a cidade foi fundada. E a isso aglutinaram uma enxurrada de moções com votos de congratulações, de apoios inócuos, e de apelos, que certamente nem Deus teve coragem de ouví-los, tamanho o festival de besteiras. E, claro, a concessão de títulos de cidadania, cuja falta de meritocracia é requisito fundamental para se homenagear pessoas que nunca fizeram absolutamente nada pelo município. Essa honraria, é bom frisar, virou moeda de troca político-eleitoral. E chegou a tal ponto, que se alguém perder o RG ou o CPF nas proximidades da Câmara, certamente será convidado a receber o pergaminho.
Nove dos senhores edis aprovaram o que o prefeito quis, sem nenhum tipo de constrangimento, mesmo sabendo que a conta caberá ao contribuinte pagar.
A mudança que se observou neste início de ano, ainda que tardia, é salutar, pois deve impedir que outras sandices sejam cometidas em nome do povo, que a bem da verdade, nunca autorizou prefeito e vereadores a fazer o que bem entenderam, sem lhes consultar. E não só vereadores e prefeitos, mas também deputados e governadores, senadores e presidentes da República, acreditam piamente que uma vez eleitos, recebem um cheque em branco de seus ‘representados’. Sabem que não, mas se agarram de tal forma ao poder como se não precisassem dar explicações de seus atos.
A oposição, que sempre esperneou porque era minoria em plenário, agora que passou à condição de protagonista tem a obrigação, o dever de ofício de escancarar as mazelas do governo municipal e tudo aquilo de nefasto que foi cometido em nome do povo.

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