Quem se importa com os professores?

ÉSSIO MINOZZI JR.

Segundo a pesquisa da APEOESP e DIEESE impressionantes 97,65 dos professores já sofreram adoecimento mental pelo trabalho enfrentando ansiedade, estresse estremo e Burnout. Um dado alarmante que mostra a urgência de cuidarmos de quem ensina, segundo Edmundo Percival Montfort em sua publicação no Instagram.

A educação pede socorro! Profissionais relatam sobrecarga, falta de estrutura e pressão constante. O resultado disso é extrema dificuldade para equilibrar a vida pessoal e o trabalho, gerando uma rotina marcada por exaustão física e emocional. Ansiedade e pânico afetam 47% dos educadores; insônia, 33,5%; e depressão, 29,8%, ou seja, uma a cada quatro profissionais, 24,8%, já precisou se afastar das escolas para cuidar da saúde mental. Existem cinco grandes motivos por trás destes números alarmantes!

Violência nas escolas! A violência nas escolas transforma a sala de aula em um ambiente de medo. Professores enfrentam agressões verbais e físicas diariamente, trabalhando em estado de alerta constante. Esse cenário de insegurança destrói a saúde mental, gerando pânico e estresse crônico insustentáveis.

Excesso de burocracia! Em vez de focar no aluno, o professor gasta horas preenchendo relatórios intermináveis e planilhas, levando trabalho para casa. Essa sobrecarga invisível rouba o tempo de descanso e transforma a rotina em exaustão contínua.

Cobrança por resultado! Educadores são pressionados a alcançar metas irreais e índices de aprovação, ignorando a falta de estrutura das escolas. Essa pressão sufocante transforma a educação em uma ‘linha de produção’, gera frustração profunda e engatilha o Burnout.

Baixos salários! Os baixos salários forçam os professores a assumirem jornadas duplas ou triplas apenas para sobreviverem. Trabalhar de manhã, à trade e à noite aniquila qualquer possibilidade de lazer ou descanso. A Angustia financeira diária adoece quem dedica a vida a ensinar.

A falta de valorização! A falta de valorização profissional faz o educador se sentir invisível e descartável. Sem o respeito da sociedade, sem apoio do governo e com carreira estagnada, o sentimento de abandono cresce. Ensinar perde o brilho quando quem educa não é cuidado.

Avaliando esses cinco grandes motivos é impossível não olhar pra trás em minha carreira como educador. Conclui minha formação docente na área de exatas: matemática, física e desenho geométrico, iniciei minha carreira de docência no Experimental da Lapa, ‘apelido’ da E.E. Dr. Edmundo de Carvalho nos anos 1970. Fundada originalmente em 1939 como Escola de Aplicação ao Ar Livre Dom Pedro II, no Parque da Água Branca e transferida para rua Tibério na Lapa em 1954. Inspirada nos ideais da Escola Nova a instituição testou modelos avançados para a época, como o ensino continuado de oito anos e a abolição da reprovação escolar tradicional, antecipando discussões de promoção automática.

Quando lá cheguei encontrei uma unidade de pesquisa de Secretaria de Estado da Educação de São Paulo, marcando a história educacional brasileira antes de se transformar em uma escola regular de ensino básico. O aprendizado que adquiri trabalhando nessa unidade escolar pública me tornou um educador que, além de formação universitária, também acumulei valores pedagógicos que me tornou um docente ainda mais apaixonado por ensinar. Como profissional da educação fui respeitado e no período que atuei na educação pública, entre 1970 e 2013, não tínhamos essa intensidade de agressividades como constatamos atualmente.

Essio Minozzi Jr. licenciado em Matemática e Pedagogia, Pós-Graduado em Gestão Educacional – UNICAMP e Ciências e Técnicas de Governo – FUNDAP, foi vereador e secretário da Educação de Mairiporã.

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