O prefeito, as viúvas e os cabos eleitorais

Derrotado nas urnas, depois de doze anos à frente da Prefeitura, Aiacyda carrega consigo o fim de uma era. Último representante de toda uma geração de políticos, ainda tentava sobreviver no cargo. A cidade, no entanto, pensou de forma diferente. Cansou de Aiacyda, do seu jeito de fazer as coisas, da arrogância em se achar acima de tudo e de todos, de não prestar contas, dos mal feitos que foram denunciados ao longo dos últimos anos, dos parentes no serviço público e, em muitos momentos, de pensar que era Deus.

Demorou, mas finalmente o povo de Mairiporã acordou para uma nova realidade. Sob seu governo a cidade perdeu muito nos setores econômico e social, patinou no desenvolvimento e de um segundo lugar na região, formada por cinco municípios, despencou para a quarta posição.

Mas não foi somente Aiacyda o derrotado. Com ele se vão as ‘viúvas’ que legalmente estiveram em cargos chaves no governo, algumas também com doze anos de Prefeitura. Assim como o chefe, desprovidas de uma visão global dos problemas e pouca, pouquíssima vontade de promover as mudanças que o passar dos anos exigiam.

Aliados às viúvas, os cabos eleitorais instalados em cargos de comissão, que mamaram nas gordas tetas do erário nos últimos quatro anos. A maioria, sem a qualificação exigida para a função, que só seguiram com altos salários porque não houve fiscalização por parte de quem deveria fazê-la em nome do dinheiro público.

Todos já vão tarde: o prefeito, as viúvas e os correligionários. Agora é procurar trabalho (emprego tinham na Prefeitura), de mostrar que são capazes de viver sem as facilidades que a política lhes proporcionou.

E a esperança de marcar um ‘x’ a cada passar de dia no calendário, sonhando que quatro anos passam logo, também acabou. O velho cacique foi aposentado pelo povo.

Posts similares

  • Lição não aprendida

    Governos adoram fingir que tempestades não vêm aí. Quando o assunto é água em São Paulo, a negação virou hábito pernicioso. Um recurso finito, tão essencial quanto respirar, tratado como se brotasse eternamente das pedras. A crise hídrica de 2014 deveria ter sido o alarme estrondoso. Em vez disso, virou aviso esquecido na gaveta. As…

  • Notícias falsas

    Estudo do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) divulgou na semana passada que as notícias falsas se espalham mais facilmente na internet do que textos verdadeiros. De acordo com ele, a circulação é 70% mais rápida. Essa constatação não é novidade, e a velocidade também não, pois as pessoas preferem compartilham fofocas e inverdades a…

  • Seriedade em bem informar

    Ao longo de 20 anos o Correio Juquery foi o único jornal sobrevivente na cidade, o que significa que temos uma história de seriedade, credibilidade e confiança não só da parte de uma equipe que sempre se mostrou coesa e responsável quando o dever é informar, mas também, e principalmente, dos leitores e anunciantes e dos…

  • Dancinhas e chororô

    A imprensa esportiva brasileira, de forma geral, salvo raríssimas exceções, é repetitiva, cansativa e todos, indistintamente, são técnicos de futebol. Esse quadro vem de longe. Durante a Copa do Mundo do Catar foram acrescentadas outras ‘pérolas’ ao repertório, como o achismo, a adivinhação, receitas técnicas e táticas de como o Brasil deveria jogar, quais jogadores…

  • Em time que está ganhando…

    Ainda é muito cedo para se falar sobre trocas no primeiro escalão do governo Aladim, principalmente porque o próximo mandato é o de prefeito reeleito. Aquela máxima do futebol, “em time que está ganhando não se mexe”, parece que irá prevalecer, pois todo o conjunto conhece como funciona a máquina administrativa, os meandros políticos e…

  • Falta combustível

    Nem mesmo economistas e profissionais que atuam na área energética conseguem entender o que faz a Petrobras (por tabela o Governo Federal) quando o assunto é a descabida e onerosa sequência de aumentos no preço de gasolina, etanol e óleo diesel. Embutido nesses reajustes vem o efeito dominó, que chega a outros setores da economia,…