O perigo do narguilé

O uso do narguilé, tradicional equipamento de origem árabe, usado para fumar tabaco, infelizmente virou moda nos dias atuais. E digo infelizmente tendo como principal motivo o fato de que até mesmo crianças fazem uso, já que o sabor das essências, misturado ao sabor do fumo e as cores, passam a imagem de um produto inofensivo, porém os médicos advertem para os riscos de graves doenças. Dados da Anvisa dão conta de que no tal narguilé, uma mistura de tabaco é aquecida e a fumaça gerada passa por um filtro de água antes de ser aspirada pelo fumante, por meio de uma longa mangueira.

Alguns fumantes pensam que a água filtra os compostos tóxicos da fumaça, porém, essa ideia é equivocada. A água não é capaz de filtrar todos os compostos tóxicos e cancerígenos. Assim como os cigarros e outros produtos derivados do tabaco, no caso do narguilé a exposição a esses compostos é maior, pois uma rodada de fumo no narguilé pode levar cerca de 45 minutos. Ou seja, o fumante acaba inalando mais fumaça que nos produtos convencionais.

Além disso, as fontes de aquecimento geralmente utilizadas, como carvão e madeira em brasa, quando queimadas, liberam grande quantidade de compostos químicos potencialmente perigosos, como metais e monóxido de carbono. E diversos tipos de doenças estão associados ao uso de narguilé: dependência física e psíquica; impotência; câncer de pulmão; câncer de fígado; câncer oral (lábios, língua, faringe) e doenças cardíacas.

Segundo o INCA – Instituto Nacional de Câncer ‘José Alencar Gomes da Silva’, a alta aceitabilidade social e a fácil acessibilidade ao narguilé contribuem para a sua propagação, especialmente entre adolescentes e adultos jovens.

Sempre ouvi de amigos que não há problema, já que são só essências sem nicotina. Segundo os especialistas, essa crença é definitivamente equivocada, já que mesmo os chamados herbais, são fumos com aditivos e os estudos apontam que a fumaça contém muitas substâncias tóxicas existentes também na combustão incompleta do tabaco do cigarro.  Nessas fumaças, encontram-se componentes que são simplesmente transferidos da matéria-prima, como glicerol, nicotina, nitrosaminas específicas do tabaco.

Os sistemas mais afetados no fumante ativo de narguilé, e no passivo, são o respiratório e o cardiovascular, além dos danos causados passivamente aos fetos de gestantes usuárias desse produto. O narguilé causa danos obstrutivos ao sistema respiratório, observados na redução significativa do volume expiratório. Estudo com usuários que relataram uso de narguilé entre duas e cinco vezes por mês evidenciou aumento na frequência cardíaca e na concentração média de nicotina quando comparado ao narguilé sem nicotina. Esse resultado indica que os efeitos cardiovasculares do narguilé são mediados pelo teor de nicotina presente no produto de tabaco.

O uso deste equipamento passa longe de ser inofensivo e a internet está cheia de indicadores, frutos das pesquisas de instituições e profissionais sérios, mas infelizmente a mesma rede mundial está repleta de imagens de pessoas bem aceitas socialmente por este hábito. Preocupante e grave!

 

 

 

Luís Alberto de Moraes – @luis.alb – Autor do livro “Costurando o Tempo – dos Caminhos que Passei”

 

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