O ensino superior no Brasil

ÉSSIO MINOZZI JR.

Em 1980, o ensino superior brasileiro era bem diferente do que é hoje em dia. As universidades tinham menos estudantes, estavam mais concentradas nas grandes cidades e o acesso a elas era restrito a uma pequena parcela da população, geralmente aos mais ricos.

Mas, mesmo diante de uma universidade ainda tão elitista, já existia quem lutasse para transformar essa realidade. O movimento estudantil se reorganizava após anos de repressão da ditadura e ocupava as ruas e as universidades pela redemocratização do país e por uma educação mais diversa e acessível.

De lá pra cá, com décadas de luta, muita coisa mudou! O Brasil ampliou suas universidades e campi, criou novas formas de acesso e levou o ensino superior para cada vez mais lugares e pessoas. Por isso, conhecer essa história é tão importante, assim entendemos o quanto já avançamos e, principalmente, lembramos que ainda temos muito a conquistar. Seguimos atrás de ambientes estudantis cada vez mais públicos, democráticos e para todos!

Eu, particularmente, sou um exemplo: fiz cursos superiores em faculdades particulares nos anos 1970, hoje minha filha formada na UNICAMP- Universidade Estadual de Campinas-SP, com mestrado também na UNICAMP e está concluindo doutorado na Universidade Federal de Salvador- Bahia.

No contexto do Ensino Superior em 1980 o Brasil contava com aproximadamente 39 universidades federais em funcionamento. As 39 instituições formavam a base da rede pública federal de ensino superior naquele período. O país possuía cerda de 65 universidades no total, incluindo estaduais, municipais e particulares, além de centenas de faculdades.

O setor privado já dominava a maior parte das matriculas no ensino superior brasileiro, cerca de 63% a 69%, enquanto as universidades federais concentravam uma parcela menor, porém altamente concorrida pelos estudantes.

Atualmente, o Brasil possui 69 universidades federais, embora fontes oficiais do MEC tenham citado recentemente uma contagem ampliada de 74 instituições contabilizado desmembramentos e transformações recentes, como as oficializadas pelas leis sancionadas em setembro de 2026.Elas estão espalhadas por toda as 27 unidades federativas, 26 estados e o Distrito Federal com pelo menos uma universidade federal.

A distribuição por estado tem Minas Gerais liderando o país com 11 universidades federais seguido pelo Rio Grande do Sul com 6 e estados com Bahia, Pará, Paraná, Pernambuco e Rio de Janeiro com 4 cada.

Os Ingressos nas universidades federais do Brasil funcionam de forma centralizada pelo SISU-Sistema de Seleção Unificada ou por meio de vestibulares próprios e vagas remanescentes. O processo principal é unificado, mas as regras e os formatos mudaram recentemente. O Sisu e o Enem – Exame Nacional do Ensino Médio, a principal porta de entrada, pois atende a grande maioria das vagas nas universidades federais preenchida usando a nota do Enem através do Sisu.

O Sisu mudou seu formato e agora possui apenas uma única inscrição por ano, realizada entre janeiro e fevereiro. Mesmo para os cursos que começam no segundo semestre letivo a inscrição deve ser feita.

A próxima Universidade Federal deverá ser implantada na fronteira norte do Amapá e está em transmissão no Congresso. Efetivada a aprovação ela se tornará a maior conquista da educação no Amapá desde a criação da Universidade Federal do Amapá e a Universidade Estadual do Amapá.

Essio Minozzi Jr. licenciado em Matemática e Pedagogia, Pós-Graduado em Gestão Educacional – UNICAMP e Ciências e Técnicas de Governo – FUNDAP, foi vereador e secretário da Educação de Mairiporã.

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