Nem todo mundo gosta do frio

Tem gente que ama o frio!

O café fica mais gostoso, a coberta mais convidativa e a casa ganha aquele clima confortável de inverno. Mas existe uma parte da cidade que vive uma estação completamente diferente da nossa, porque o frio nunca chega igual para todos.

Enquanto alguns escolhem qual casaco usar, outros tentam apenas atravessar a madrugada. E talvez uma das maiores crueldades do inverno seja justamente essa: ele escancara desigualdades que, no calor da rotina, muita gente consegue fingir que não vê.

Lembrei de um verso dos Racionais MC’s que diz que “o mesmo sol que aquece também apodrece o esgoto”. Acho que o frio faz algo parecido.

Para uns, ele traz aconchego. Para outros, demanda resiliência para sobrevivência.

É nessas horas que o Direito deixa de ser apenas lei escrita e passa a revelar sua função mais importante: proteger a dignidade humana quando ela fica mais vulnerável.

A Constituição fala sobre assistência social, proteção aos desamparados e direitos básicos. Mas, antes de qualquer artigo ou termo jurídico, existe uma verdade simples: nenhuma sociedade é realmente justa quando parte dela precisa lutar contra o frio enquanto a outra apenas reclama dele.

Por isso campanhas de arrecadação, ações do Fundo Social e iniciativas de acolhimento importam tanto.

Não são apenas gestos de solidariedade, mas formas de valer a lei, o amor e lembrar que viver em sociedade também significa dividir responsabilidade.

 

*Victoria Contreras é advogada e servidora pública