Docência, a essência da educação atual

ÉSSIO MINOZZI JR.

Valorizar a educação também significa olhar para quem está diariamente fazendo acontecer! Quando direitos, diálogos, autonomia, respeito e respaldo vão sendo deixados de lado, surge uma pergunta que merece ser feita: que tipo de educação estamos construindo para os docentes que virão depois? Esse questionamento público do professor Claudio Martins nos leva a comparar a educação atual com a da escola de trinta anos atrás.

O Instituto Terapêutico Alecrim apresentou a escola de anos atrás em sua publicação: “A escola de 30 anos atrás tinha menos, mas será que entregava menos?”

A escola mudou e muita coisa mudou para melhor, porém, o professor passou a carregar responsabilidades que vão muito além do ensinar. Antes tínhamos 180 dias letivos e hoje são 200 dias, entretanto, mais dias não garantiram sozinhos mais aprendizagem. Antes o professor dava aula e hoje o professor tenta dar aula! Hoje acumula o planejamento diário, o registro de sua atuação e documentar relatórios semanais, a resolução de imprevistos e, ainda, tentar dar aula.

Antes os alunos prestavam atenção as aulas. Hoje se distraem com tudo: celular, redes sociais, ansiedade, muitos estímulos e menos foco. O recreio era de 30 minutos com tempo para descansar, tomar seu lanche e até brincar, hoje, em média com 15 minutos, quase sem tempo de respirar.

O planejamento era muito mais simples: foco no conteúdo, no aluno e na aula. Hoje o planejamento virou burocracia: preencher plataformas, seguir inúmeras orientações, registrar cada detalhe, adequar documentos, comprovar o que já fez e, ao mesmo tempo, preparar a aula, além de adotar estratégias para conseguir a atenção de seus alunos durante a aula.

Antes a inclusão era exceção e muitos alunos ficaram à margem da escola, poucas adaptações e quase nenhum apoio. Hoje a inclusão avançou e a inclusão de verdade exige apoio, formação e estrutura. Com diferentes formas de ser a inclusão exige o mesmo direito de aprender e incluir: ensinar com o coração, ofertando acessibilidade, formação docente, recursos adaptados para ser educação inclusiva de verdade.

Menos registros, mais tempo para ensinar! Ao registrar quase tudo aumentou a burocracia e diminuiu o tempo para ensinar. O professor antes focava exclusivamente no ensino. Ensinar sempre foi a essência! O maior desafio era ensinar e acompanhar a aprendizagem com planejamento, metodologia, conteúdo, avaliação e aprendizagem.

Agora o professor virou mediador de conflitos entre alunos, famílias, redes sociais e grupos de whatsapp, situações de violência, demandas emocionais e muitas outras que vão além do ensinar. Com isso, parte do tempo de ensinar passou a ser usado para conseguir ensinar.

Antigamente não era tudo melhor! Havia exclusão, autoritarismo, problemas que precisavam melhorar e muita coisa melhorou: mais inclusão, mais respeito e mais possibilidades com uma educação mais humanizada, inclusiva, com diversidades e oportunidades.

Ao mesmo tempo a escola passou a carregar coisas demais e muito desse peso caiu sobre o professor: ensino, inclusão, suporte emocional, mediação de conflitos, burocracia, projetos, família e resultados. Por isso, a docência se tornou, ainda mais, a essência da educação.

Essio Minozzi Jr. licenciado em Matemática e Pedagogia, Pós-Graduado em Gestão Educacional – UNICAMP e Ciências e Técnicas de Governo – FUNDAP, foi vereador e secretário da Educação de Mairiporã.

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