Democracia depende da Educação

O problema da administração pública é aumentar a produtividade dos gastos. Isso exige programas bem projetados com objetivos quantitativos e qualitativos e recursos bem definidos e datados. Os grandes desejos e esperanças da sociedade são expressos na preferência dos eleitores quando, no processo eleitoral, escolhem os chefes do Executivo. É por isso que a “marquetagem” mentirosa, que acende fantasias que nunca poderão realizar-se pela simples e boa razão de que superam os limites impostos pela restrição física dos recursos disponíveis, deveria ser, em si mesmo, condição suficiente para a inabilitação do candidato.
A democracia apoiada no sufrágio universal honesto é o mais difícil de todos os regimes. Até aqui, entretanto, foi o único que demonstrou ser capaz de construir uma sociedade na qual os valores supremos são a liberdade individual e a perseguição permanente da igualdade de oportunidades. O seu bom funcionamento depende do aumento da capacidade crítica dos eleitores, o que está diretamente ligado ao nível de educação. Uma das coisas mais pitorescas é empobrecer o papel da educação como um fator econômico. Não! A educação é muito mais. Foi ela que permitiu ao homem descobrir a sua “humanidade”. Foi ela que transformou o macaco no animal que ainda não teve tempo para saber quem é.
De que depende, fundamentalmente, o aumento da igualdade de oportunidades? Da capacidade da sociedade de prover as condições que reduzam a vantagem inicial do acidente do nascimento. Todos, não importam as condições em que nasceram, devem ter oportunidades semelhantes para construir o seu aparato de apreensão do mundo (o seu cérebro). É por isso que a Constituição do Brasil determina saúde e educação para todos, financiadas por todos (não “grátis”!). Gestado, as mães devem ter suporte adequado. Nascidos, têm “direitos” à saúde e à educação básicas. O complemento para a igualdade de oportunidades é a mitigação da transferência intergeracional da riqueza acumulada, feita através de mecanismos inteligentes que harmonizem o aumento do consumo com o necessário aumento dos investimentos para sustentá-los. Nada disso é resultado do “mercado”. Exige um governo forte, constitucionalmente controlado e com mandato para fazê-lo, o que, obviamente, exige a lisura eleitoral.
O papel fundamental do Legislativo é aprovar o orçamento (o provedor de “esperança”) e controlar a sua execução. O controle tem que ser permanente porque as prioridades evoluem com o tempo. É por isso que é duvidoso que as “vinculações” à saúde e à educação as produzam eficientemente.

Fonte: G1

Posts similares

  • Não é obra de improviso

    A consolidação de um ambiente favorável à recuperação do crescimento do Brasil, que tornaria menos custosa a inevitável busca do equilíbrio fiscal, tem sido fortemente prejudicada por alguns eventos. Primeiro, pela insensatez da violência que tem predominado em algumas das legítimas (e respeitáveis) manifestações públicas dos cidadãos. Vândalos não entendem que elas só são possíveis…

  • Jornalismo honesto deve esclarecer a sociedade

    Neste momento de pós-verdade e relativismo incontido, a pergunta sobre o que é a “verdade”, como encontrá-la e se, uma vez encontrada, ela terá ainda alguma importância para o debate das políticas públicas parece completamente fora do lugar. Mas são questões fundamentais que devem presidir o comportamento de duas profissões: a dos que ainda creem…

  • Investimento público

    Carência crônica de investimentos compromete o crescimento econômico futuro Temos insistido na importância da surpresa positiva com a recuperação cíclica da economia brasileira. Mesmo em meio ao ambiente de turbulência política permanente, os números da atividade têm sido robustos e disseminados entre setores, um passo importante na retomada. As projeções apontam para crescimento em torno de 5,5% para…

  • A tragédia da LDO 2022

    A LDO de 2022 foi conspurcada por um comportamento pouco republicano De tempos em tempos, principalmente nos mais “estranhos”, é bom revisitar o texto da Constituição Federal. A seção dedicada aos Orçamentos detalha a tecnocracia do planejamento financeiro do Poder Executivo através da Lei do Plano Plurianual (PPA), da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e…

  • Aumento da Cide

    Terminado o primeiro semestre de 2017 com alguns sinais positivos na área econômica, enfrenta o país o triste espetáculo de ver o senhor presidente da República denunciado por conta de ilações que precisam, necessariamente, de provas materiais. Resultou de uma armadilha habilmente construída pelo “capo di tutti capi” de uma gigantesca organização criminosa, criada pelo…

  • Sem teto a casa cai

    Sem ele, teremos mais inflação, menos crescimento e menos renda A “causa causans” para a formulação do teto de gastos foi a necessidade urgente de devolver à sociedade brasileira a perspectiva de solvência do Estado dentro de um horizonte razoável. Com a destruição gradual e cuidadosa das regras fiscais que vigoravam até então e em…

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *