Dono da cidade e acima da lei

Mairiporã amanheceu ontem perplexa com mais uma decisão do prefeito Antônio Aiacyda, como que a jogar na cara da população que ele manda na cidade e o povo obedece, e que está acima da lei.
Com data de ontem, foi publicado na Imprensa Oficial do Município um EXTRATO DE AFASTAMENTO DE SERVIDOR PARA SERVIR A OUTRO ÓRGÃO OU ENTIDADE, entre a Prefeitura de Mairiporã e a Prefeitura de Santana de Parnaíba. E a imoralidade começa aí. Primeiro que o ato deveria ter sido publicado na íntegra, e segundo, não menciona o servidor que será ou já foi emprestado àquele município.
O prefeito subestima a inteligência da população honesta, ignora a opinião pública e os valores cívicos e morais da história. Ao omitir o nome do servidor sinalizou que se trata de seu genro, Adriano de Freitas, quarto colocado no concurso para a Procuradoria Geral do Município de Mairiporã, e que é secretário de Governo em Santana de Parnaíba há seis anos. Como a lei proíbe o exercício em dois cargos públicos, a saída foi emprestá-lo, à custa dos cofres de Mairiporã. Se essa dedução é inverídica, o prefeito tem que explicar ao povo porque o nome do servidor não foi publicado, como deveria ser em nome da transparência no trato com a coisa pública.
É a desmoralização total de um governo que não respeita a população e faz com que a Prefeitura pareça um empreendimento privado.
A suspeita, corroborada, repetimos, pela omissão do nome do servidor emprestado, é que o prefeito agiu para proteger o genro e projetar seu futuro na Prefeitura de Mairiporã. Quando perder o cargo naquela cidade, estará garantido aqui.
A omissão do nome é imoral e indecente. Não tem como não pensar que há algo de muito podre nas entranhas do Executivo. E os vereadores? Não vão se manifestar através das redes sociais? Vão pactuar com essa imoralidade? Não podem se acovardar e tem o dever de ofício de investigar e ir na contramão do que fizeram até agora, ou seja, fecharam os olhos a questões de interesse da coletividade, enfiadas goela abaixo.
Quem age dentro da imoralidade, não serve para a vida pública.
Socorro, Procuradora Geral, Raquel Dodge!!!
Socorro, ministro Sérgio Moro!!!

Posts similares

  • Devolver mais, ou menos?

    A questão do duodécimo da Câmara de Vereadores (orçamento estimado para as despesas de todo o ano) tem rendido debates em muitos círculos políticos. A devolução de R$ 790 mil aos cofres da Prefeitura, no encerramento do ano fiscal de 2022, o mais baixo dos últimos anos, é um indício inquestionável que o problema reside…

  • Alertas

    Publicação do Tribunal de Contas do Estado datada de 14 de junho último, aponta que a administração do prefeito Antônio Aiacyda foi alvo de alertas da corte de contas paulista, devido às inconsistências encontradas. Dentre os apontamentos, verificou-se que o resultado primário, previsto na LOA (Orçamento da cidade) atualizada, é inferior ao consignado no Anexo…

  • Que democracia?

    Desde que Jair Bolsonaro assumiu a presidência da República, depois da avalanche de escândalos de corrupção em todos os níveis que envolveram a classe política e seus antecessores no Palácio do Planalto, que os principais órgãos de imprensa e setores acomodados com o modus operandi da República enchem a boca para falar sobre democracia, e…

  • Desespero nas prefeituras

    Aqueles tempos do lulopetismo, que permitiram todo tipo de disparate fiscal nas prefeituras, notadamente entre 2005 e 2010, deu lugar ao desespero. Quadro de funcionários inchados, concursos públicos sem necessidade e com salários milionários, em especial nas cidades de pequeno e médio portes, são agora práticas do passado. O que se vê agora são prefeituras…

  • Mais uma CAR na Câmara

    O colunista Essio Minozzi publica nesta edição, à página 4, artigo em que aborda a criação de uma Comissão de Assuntos Relevantes (CAR) na Câmara de Vereadores – a primeira da atual legislatura. A iniciativa, em si, não causa estranheza. Ao contrário, trata-se de instrumento já amplamente utilizado em legislaturas anteriores. O que chama atenção,…