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FRASE

“Não será difícil achar semelhança entre uma eleição e uma mágica; avultam em ambas as visualidades e tramoias. (Trecho do livro ‘Crônicas, Obras Completas’, de Machado de Assis)

PERGAMINHOS

A farta distribuição de títulos de cidadania continua firme e forte na Câmara. Nas duas sessões realizadas na terça-feira (22), nada menos que 14 pergaminhos foram aprovados, para ilustres desconhecidos, exceção feita ao médico dr. Diego Anjos Blanco, cujos méritos são reconhecidos pela sociedade. A principal honraria da cidade foi transformada em instrumento político-eleitoreiro, com nuances de politicagem barata. Mas além dos títulos, o combalido calendário oficial do município segue ‘engordando’. Agora, com a propositura do Dia Municipal da Prática de Yoga. Seria cômico, se não fosse trágico.

FUTUROLOGIA (I)

A aproximação do pleito eleitoral, que acontece no dia 4 de outubro, marca o início da temporada ‘Bola de Cristal em Ação’, em que se tenta adivinhar a votação de candidatos. No caso deste ano, daqueles políticos locais que se aventuraram na disputa para deputado (estadual e federal). E esse exercício de vidência revela números tão absurdos, inimagináveis para quem tem bom senso. Mas este período é propício a ações de futurologia.

FUTUROLOGIA (II)

Por outro lado, é bom lembrar que tão logo as eleições estejam definidas, terá início a sucessão municipal. O xadrez político parece apontar para um candidato a prefeito com apoio do atual chefe do Executivo e dois outros nomes da oposição. Neste último caso, ambos não vivem às mil maravilhas desde que a oposição foi derrotada nas urnas em 2020. A animosidade que nutrem é mútua, com previsão de longevidade.

FUTUROLOGIA (III)

Seja qual for o resultado final que sairá das urnas, vontade expressa dos eleitores, ele não serve de parâmetro para a disputa de prefeito, em 2028. Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. Achar que a estratégia de agora vai servir daqui a dois anos, é um erro primário.

CAMPANHA (I)

A campanha eleitoral em Mairiporã está mais desanimada do que futebol de sexagenários. Os candidatos fazem “visita de médico” como se estivessem fazendo campanha para prefeito. Já se ouve murmúrios que tem candidato com dificuldade para pagar colaboradores.

CAMPANHA (II)

Excetuando-se wind banners e santinhos, a campanha eleitoral em Mairiporã é a mais silenciosa de todos os tempos. Carros de som não têm circulado pelas ruas e nem aqueles jingles cujos autores merecem prisão perpétua. Os ouvidos da população agradecem. Essa estratégia mixuruca de campanha se deve unicamente à falta de dinheiro. Deputados que tentam a reeleição optaram por escolher autoridades municipais para atuar como cabos eleitorais, enquanto os novatos se valem de dobradinhas com políticos locais.

ELEITOR

Além da fragilidade das campanhas, um outro fato chama mais a atenção: o desinteresse demonstrado pelo eleitor. Seu envolvimento em todo o processo é nenhum, com o agravante dos escândalos patrocinados por autoridades de todos os segmentos, que parece incentivo à ausência nas urnas. Em Mairiporã, nas últimas quatro eleições, as abstenções, os votos brancos e nulos chegaram a mais de 1/3 do colégio eleitoral, ou seja, 35%. A situação política atual não impede, ao contrário, estimula que o eleitor fique em casa no dia 4 de outubro.

OS FEDERAIS

Nas eleições de outubro vindouro raros vão ser os candidatos a deputado federal (os dez mais votados em Mairiporã) que repetirão o total de votos obtidos em 2022. Razões? Carla Zambelli está morando na Itália; Dori Freitas não é candidato; Eduardo Bolsonaro está inelegível; Guilherme Boulos não é candidato; Ricardo Salles é candidato a senador; Dany da Defesa Animal não é candidata. Dos que vão tentar a reeleição, Kiko Celeguim perdeu espaço na cidade; Alex Manente também; Celso Russomano pouco ou nada ajudou o município e Delegado Bruno Lima ficou na décima posição há quatro anos e não deve repetir a votação.

SÓ FLAGRANTE

Os candidatos ao primeiro turno, marcado para 4 de outubro, não podem ser detidos ou presos no período compreendido entre 19 de setembro e 6 de outubro, exceto em flagrante delito. O período começa 15 dias antes da votação e termina 48 horas depois.

CUIDADO

O leitor precisa tomar cuidado em dar crédito de fé a muitos noticiários sobre políticos e candidatos. Tudo que possa parecer criminoso nesse momento, pode não ser amanhã, depois das eleições. A insegurança jurídica que se instalou no Brasil, por causa do comportamento e revelações de suspeita de corrupção sobre magistrados, procuradores, desembargadores e ministros do Supremo, contribui para que os brasileiros decentes e de boa fé fiquem céticos com relação à Justiça.

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