As quatro últimas eleições gerais em Mairiporã revelam um comportamento eleitoral que merece atenção. Apesar do crescimento contínuo do eleitorado – de 52.095 eleitores em 2010 para 65.763 em 2022 -, uma parcela expressiva dos eleitores deixou de comparecer às urnas ou, comparecendo, optou por não escolher nenhum dos candidatos à Presidência da República.
Em 2010, a abstenção atingiu 20,32% do eleitorado, enquanto os votos brancos e nulos somaram 6,17%. Em 2014, os que não foram votar chegaram a 21,58%, e brancos e nulos representaram 5,96%. Quatro anos depois, em 2018, ocorreu o maior índice de votos sem escolha: 10,25% de nulos e 2,93% de brancos, totalizando 13,18%. Naquele ano, a abstenção também alcançou 22,87%.
Em 2022, houve uma redução significativa dos votos inválidos, que caíram para 5,63%, praticamente voltando aos níveis registrados nas eleições de 2010 e 2014. A abstenção, entretanto, continuou elevada, em 21,61%.
Ou seja, em três das quatro eleições analisadas, mais de 15 mil eleitores deixaram de participar efetivamente da escolha presidencial, seja porque não compareceram às urnas, seja porque compareceram, mas votaram em branco ou anularam o voto. Em 2018, esse contingente chegou a aproximadamente 22 mil pessoas.

É importante fazer uma ressalva: abstenção não é voto desperdiçado, pois corresponde ao eleitor que não compareceu. Já os votos brancos e nulos são efetivamente desconsiderados na apuração. O Tribunal Superior Eleitoral esclarece que somente os votos válidos – dados a candidatos ou legendas, conforme o cargo – entram no resultado; brancos e nulos não são transferidos para o vencedor nem têm capacidade de cancelar uma eleição.
O que esperar de outubro? – É justamente aí que reside a questão para a eleição de outubro. O histórico de Mairiporã não autoriza apostar em uma participação maciça do eleitorado. Ao contrário, os números mostram uma espécie de estabilidade da abstenção em torno de 21% a 23%, enquanto os votos brancos e nulos, descontada a excepcionalidade de 2018, têm permanecido próximos de 6%.
Se o comportamento se repetir em 2026, algo próximo de um quarto do eleitorado poderá ficar fora da escolha efetiva para presidente, somando-se os que não comparecerem às urnas aos que comparecerem, mas não escolherem nenhum candidato.
E há uma consequência política importante nessa matemática. Quanto maior a parcela de eleitores que não participa efetivamente da escolha, menor é o universo sobre o qual se define o resultado. Não significa que a eleição perca sua legitimidade – a legislação estabelece que a decisão é tomada pelos votos válidos -, mas evidencia um problema de participação política que não deveria ser ignorado.
O eleitorado de Mairiporã cresceu 13.668 eleitores, ou 26,2%, entre 2010 e 2022.
A questão que se coloca para outubro é saber se o comparecimento acompanhará esse crescimento ou se a cidade repetirá o padrão das quatro últimas eleições gerais.
A campanha eleitoral terá, portanto, um desafio que vai além de conquistar votos: convencer quem tradicionalmente não comparece e quem comparece, mas prefere o branco ou o nulo, de que vale a pena fazer uma escolha.
A eleição de 2026 está marcada para 4 de outubro, conforme o calendário eleitoral do TSE. (Salvador José/CJ —