Marília Mendonça

Enquanto escrevo, uma música sertaneja, que nunca ouvi na vida, toca a todo volume em uma das casas vizinhas. Antes era um pagode e, antes do pagode, um samba. Ouvir as músicas dos outros é uma ótima maneira de conhecer novos estilos musicais. Eu mesmo, que sou mais da turma que ouve músicas internacionais, não teria desenvolvido meu gosto por Marília Mendonça se não fosse de tanto ouvir outras pessoas tocando alto, em rádios, na televisão ou em caixas de som.
Acredite em mim, a “sofrência” contagia até aqueles que não estão sofrendo, desiludidos ou traídos por alguma paixão avassaladora. Existe esse prazer secreto em querer viver as histórias contadas pelas músicas, em querer se identificar com as letras, como se a vida fosse um grande episódio de novela, onde a gente chora escorrendo contra a porta enquanto flashbacks passam pela tela. Independente de quem você seja, se tiver dois minutos de encontro com Marília, aposto que logo vai se ver “parado no meio da rua, entrando no meio dos carros”, assim como ela conta em uma de suas músicas. Mas não é inverídico que existem letras que, por algum motivo cósmico, se encaixam perfeitamente em situações que a gente vivencia, como se tivessem sido escritas exclusivamente para nossas trilhas sonoras.
Agora começou a tocar um outro tipo de música, um desses funks que estão na moda. Essa eu conheço, é uma das músicas que ouvi, por repetidas vezes, na viagem que fiz meses atrás. Logo, me vejo de volta naquele lugar. A música também tem essa capacidade de nos fazer reviver memórias. São marcas que te levam de volta a pessoas, momentos e cheiros. Quem não tem aquela música que, quando ouve, diz “me lembro de tal pessoa”? Se essa música for da Marília Mendonça, possivelmente você tem um coração quebrado no currículo.

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