‘Guerra entre poderes’

De alguns anos a esta data, os três poderes da República se confrontam justamente para saber quem tem ‘mais poder’. Executivo (leia-se presidência da República), Legislativo (senadores e deputados) e Judiciário (ministros do Supremo), deixaram de lado as gentilezas, condescendências, independência entre eles e partiram para o confronto aberto.

A decisão, esta semana, do presidente da Câmara, deputado Arthur Lira, de destravar propostas de emenda à Constituição (PEC) que restringem a atuação do Supremo Tribunal Federal (STF) é só mais um componente dessa guerra que parece longe de acabar. Foi o troco dado ao Supremo, que barrou a influência de políticos através de verbas polpudas, as chamadas emendas parlamentares.

Nesse embate entre poderes, a Constituição parece ser letra morta. Se ela exige respeito e independência entre os três poderes, é justamente isso que foi deixado de lado.

Conforme se leu e ouviu, a decisão do STF que originou todo esse imbróglio veio de forma monocrática, de apenas um ministro, justamente um dos pontos que os legisladores pretendem modificar, qual seja, ações e decisões importantes deveriam passar pelo plenário do Supremo, e não ser validadas pela chamada ‘canetada’ de apenas um de seus membros.

Fato é que nenhum dos lados tem razão, inclusive a presidência da República, que particularmente nesse episódio adicionou mais gasolina na fogueira e assiste tudo de camarote. Evidentemente que não se livrará dos respingos.

Deputados precisam ser mais transparentes nessa questão de emendas, o Supremo precisa decidir em plenário e acabar com as canetadas que já se tornaram prática, abusivas por sinal, e ao Executivo a tarefa de jogar água na fervura, e não inflar ainda mais o combate.

No frigir dos ovos, em nome da democracia tem-se feito tudo de forma pouco ‘democrática’, em que cada poder lança mão das armas que tem para fazer valer as suas vontades.

Até onde isso vai, ninguém sabe, mas certamente os resultados não serão bons para a sociedade brasileira.

 

 

 

 

Posts similares

  • Meros coadjuvantes

    O protagonismo na administração pública municipal deve ser compartilhado entre os dois poderes que a comandam: Executivo e Legislativo. Por isso mesmo que os seus cargos são ocupados por aqueles que passam pelo crivo popular, isto é, são eleitos através do voto. Essa parceria saudável é o mínimo que se espera de prefeito e vereadores…

  • Quem governa?

    Uma parcela da população, pouco interessada em política e em participar da vida em sociedade, demonstra um bairrismo desproposital e mentalidade tacanha. Atribui ao governo do prefeito Márcio Pampuri dois fatores que consideram pecados: secretários vindos de outras cidades e um secretário de Governo forte, que seria o governante de fato. Se for esse o…

  • O alerta da dengue

    O crescente número de casos de dengue por todo o Brasil é preocupante sob todos os aspectos. Em muitos municípios já se contabilizam vítimas fatais, em preocupante escala de acontecimentos. E é justamente na Região Sudeste, onde está o Estado de São Paulo, que os dados são alarmantes e levou os governantes a decretarem estado…

  • Danuza 

    A morte da jornalista Danuza Leão, aos 88 anos, no dia 22 de junho, trouxe para a berlinda a lembrança de seus saborosos textos. Danusa é considerada ícone de sua época em tudo que fez. Além de jornalista, foi top model, escritora e uma das mulheres mais lindas do planeta. Reproduzimos neste espaço, como forma…

  • O VEM que não vem

    O ‘presente de grego’ que a administração Aiacyda e sua tropa de choque na Câmara deixaram para o sucessor tem dado dores de cabeça intensa, porém está levando a população ao desespero. Estamos falando do transporte coletivo em Mairiporã, que assumiu emergencialmente em agosto do ano passado e descumpre o contrato que assinou. Falta de…

  • Potencial a ser explorado

    O aumento pequeno na previsão de potencial de consumo dos mairiporanenses, segundo dados do IPC Maps revelados com exclusividade pelo Correio, de certo modo sinaliza que as lideranças políticas e empresariais do município precisam encarar os resultados como ingrediente para buscar novas alternativas na forma de conquistar o mercado de forma a torná-lo mais atrativo,…