Sentando na janelinha

Ah, com certeza você conhece a expressão popular que dá nome a este texto. Deixo aqui minha reflexão para casos em que o sujeito, além de sentar na janela, é tão esnobe que a hipocrisia lhe parece normal. Não é insanidade. Bestas somos nós, pois esse tipo de gente sabe ser bem espertinho. São os primeiros a dizer que o cliente tem sempre razão. Prontos a declarar o que as pessoas querem ouvir e não o que precisam escutar para que possam crescer com a verdade.

A subserviência, principalmente a exagerada, anda me enchendo o saco na convivência. Ainda bem que minha irritação dura pouco, já que tenho muito o que fazer e nem posso me dar ao luxo de perder tempo com quem não merece ou em algum lugar pouco atraente de se ficar.

Falo dos que acham que história, amizade e consideração são itens que se encontram nas prateleiras dos supermercados, como se fossem mercadorias, que uns sorrisinhos que qualquer puxa-saco esparrama por pouca coisa atribuíssem valor afetivo e tornassem alguém seu melhor amigo instantaneamente.

Chegou ontem e hoje já aparece cheio de direitos. A prontidão só não é maior que seu interesse e cada gesto está marcado na listinha, para que na hora certa possa cobrar os juros compostos com correção monetária e se possível com indenizações por danos morais.

Ah, ofídias! Rastejem, pois quero vê-las esmagadas as cabeças, que é o que cabe as peçonhentas. E o diabólico amarelo dos seus dentes possa em tempo ranger com a trepidação da terra, que o esmalte das saliências desçam a seco pela garganta a ponto de se engasgar com suas mentiras. Juro, não é praga. Nem quero. Só conto com a justiça, essa sim a certeza dos homens de fé.

Na janela tem lugar, mas a viagem é longa e os que chegarem a estação, certamente não serão os de mentira. Negócio a qualquer preço e cobrar qualquer coisa não traz lucro. Atrai o mesmo interesse que na troca, vai favorecer os mais fortes. Quem viver, verá!

 

Luís Alberto de Moraes tem formação em Letras, leciona há quase vinte anos e prepara o lançamento de um livro de crônicas e poemas. @luis.alb  

Posts similares

  • Todo dia eu tenho medo

    Todo dia eu tenho medo. Medo dessa saudade que eu ainda não tenho, dessa ausência que ainda não sinto. Vou olhando seus olhos castanhos de baixo para cima medindo cada centímetro meu, como se ainda fora aquele menino embalado que se encaixava nos seus braços. Protegido no teu colo ainda me segura, como se pudesse…

  • Máscaras para inglês ver

    A pandemia não terminou e essa terrível doença ainda mata. Mas é fato que o número de mortes é extremamente baixo e que a porcentagem de vacinados com duas doses no Brasil, ultrapassa os 71%. Apesar desta última variante ter se mostrado extremamente contagiosa e ainda provoque muitas restrições pelo mundo, me parece que acabou…

  • Modinha do desapega

    O que tem de gente carente e desesperado que levanta a bandeira do desapego é impressionante. Parece que passou o final de semana lendo auto-ajuda. Se bem que deve ser esses canais que pregam:  “pisa que ele se apaixona” ou então “ignora que ele vem”. Eu me divirto analisando a psicologia deste comportamento. Sem ser…

  • Copa na Vila

    Estamos a menos de um mês para o início da Copa do Mundo de futebol. Esperamos quatro anos e meio para viver novamente a emoção de sonhar pelo hexa e que esse possa ser nosso grande presente de Natal depois de tanto sofrimento pela pandemia. A atmosfera contagiante no país do futebol aos poucos vai…

  • Ler para crer

    A nossa sociedade é bem complexa e são muitas as mudanças sociais e constantes imprevisibilidades e alterações. Fora as novas tecnologias e a sede por informações que fazem com que as pessoas construam opinião crítica, competência para a inovação e abertura ao novo. O surgimento de uma sociedade de informação impõe-se, portanto, no mundo tecnológico…