Representatividade se mede pelos resultados

O tema não é novo, tampouco a insistência em abordá-lo. Ainda assim, é preciso fixar na memória do eleitor a enorme dependência que Mairiporã possui em relação aos recursos provenientes das demais esferas de governo. Em outras palavras, a cidade necessita de deputados que a representem de fato e de direito, que defendam seus interesses e ampliem sua participação naquilo que influencia diretamente o desenvolvimento do município.

Durante décadas, Mairiporã viveu órfã de representatividade nos parlamentos estadual e federal. A ausência de interlocutores comprometidos com a cidade custou caro, contribuindo para a estagnação de obras e serviços essenciais à população. Foram períodos em que o eleitor desperdiçou o voto com picaretas e forasteiros, muitas vezes atendendo aos apelos de prefeitos, vereadores, dirigentes partidários, líderes comunitários e outras influências circunstanciais.

Somente a partir de 2021, quando o prefeito Aladim percebeu que essa prática era nociva aos interesses do município, houve um esforço para modificá-la por meio da valorização do voto e de sua destinação estratégica. Deputados que assumiram o compromisso de defender os interesses da sociedade mairiporanense receberam crédito nas urnas e corresponderam às expectativas, atuando na busca de recursos capazes de complementar o limitado orçamento municipal.

Os mais votados honraram o compromisso e o resultado foram quatro anos de expressivos investimentos. Nunca, em toda a história político-administrativa da cidade, houve um ciclo de desenvolvimento tão intenso, voltado principalmente para as áreas de maior alcance social.

Mais do que uma questão de reconhecimento, a escolha dos representantes tem impacto direto na capacidade de investimento do município. Cidades de médio porte, como Mairiporã, dependem fortemente de emendas parlamentares e da articulação política junto aos governos estadual e federal para viabilizar obras de infraestrutura, melhorias na saúde, educação e mobilidade.

Quando o voto é pulverizado entre candidatos sem compromisso com a cidade ou em nomes sem viabilidade eleitoral, perde-se força política e capacidade de reivindicação. A experiência recente mostra que representatividade não é um conceito abstrato, mas um instrumento concreto de desenvolvimento.

Mais uma vez, o eleitor se deparará com o dever cívico de escolher seus representantes. O que se espera é que saiba reconhecer aqueles que trabalharam incansavelmente na obtenção e destinação de recursos para Mairiporã. Da mesma forma que a população reconduziu o prefeito ao cargo em 2024, com quase 80% dos votos, cabe agora prestigiar os deputados que efetivamente participaram do crescimento da cidade.

Naturalmente, nesse tabuleiro eleitoral surgirão candidatos locais sem qualquer possibilidade de êxito nas urnas, além dos picaretas e forasteiros de sempre. Também não faltarão aqueles que políticos, líderes religiosos e até mesmo laços de parentesco tentarão empurrar goela abaixo do eleitor. É hora de prestigiar quem demonstrou compromisso com Mairiporã e rejeitar aventuras eleitorais que apenas servem para fragmentar a representação política do município.

Não há mais espaço para o desperdício do voto em favor de quem nunca se preocupou com Mairiporã. A cidade já aprendeu, pela experiência, que representatividade se conquista nas urnas, mas se mede pelos resultados.

Em tempos de recursos escassos e crescente competição entre os municípios, a força política passou a ser um ativo tão importante quanto a arrecadação própria. O voto é um instrumento de desenvolvimento, não apenas uma manifestação de preferência.

 

 

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