Dados da Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran) mostram que Mairiporã possui uma frota de 68.116 veículos, conforme levantamento referente a junho de 2026. Como já reportado em edições anteriores, a cidade contabiliza atualmente um veículo para cada 1,4 habitante, e o ritmo de crescimento da frota tem sido superior ao da população.
Desse total, porém, 41,48% correspondem a veículos com 20 anos ou mais de fabricação em circulação, índice que, por si só, já exige atenção do poder público e também da sociedade.
Levantamento realizado pela reportagem aponta que são 28.256 veículos automotores – entre automóveis, motocicletas, ônibus, caminhões e utilitários – fabricados até 2005. O mais antigo ainda registrado nas estatísticas é de 1924, com uma unidade em circulação.
Um dos fatores que ajudam a explicar essa realidade é a diferença de preço entre veículos novos e usados, além da isenção do IPVA (Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores) para modelos mais antigos em muitos estados, somada aos menores custos de manutenção e seguro.
A tendência observada é de envelhecimento gradual da frota, mesmo com a chegada ao mercado de veículos equipados com tecnologias mais modernas de segurança, conforto e eficiência energética. Esses avanços, entretanto, ainda esbarram no elevado custo de aquisição.
Outro aspecto importante é que, embora os veículos mais novos contem com motores menos poluentes e sistemas mecânicos mais eficientes, muitos modelos antigos permanecem em circulação graças à manutenção preventiva realizada por seus proprietários, o que contribui para prolongar sua vida útil.
Segurança – Especialistas apontam que os principais impactos do envelhecimento da frota recaem sobre a segurança viária e o meio ambiente. Segundo eles, a discussão sobre esses temas deve ir além do aspecto financeiro, levando em conta os riscos de acidentes provocados pela ausência de equipamentos modernos de segurança e o aumento da emissão de poluentes por veículos mais antigos.
Em síntese, o crescimento contínuo da frota, aliado ao aumento da idade média dos veículos em circulação, representa um desafio para a mobilidade urbana, cada vez mais comprometida não apenas em Mairiporã, mas em milhares de municípios brasileiros.
No dia a dia da população, os efeitos desse cenário tornam-se cada vez mais evidentes. O aumento da quantidade de veículos nas ruas resulta em congestionamentos mais frequentes, maior tempo de deslocamento, elevação do consumo de combustível e dos custos do transporte, além de contribuir para a deterioração das vias públicas e para o agravamento da poluição do ar. Trata-se de um problema que afeta diretamente a qualidade de vida dos moradores e reforça a necessidade de investimentos em mobilidade urbana, transporte coletivo e políticas públicas voltadas à renovação gradual da frota. ((Wagner Azevedo/CJ – Foto: M. Borges/CJ)
Frota atual se aproxima de 70 mil unidades
Até o final de junho último, segundo a Senatran (Secretaria Nacional de Trânsito), Mairiporã tinha 68.116 veículos em circulação na cidade, dos quais 51.272 na soma de automóveis (40.338) e motocicletas (10.934), que equivalem a 75,26% da frota total.
Na comparação com o mesmo período do ano passado, o crescimento foi de 4,1%, passando de 65.354 para 68.118 unidades. Esse percentual é superior ao que foi apurado em relação ao aumento da população no mesmo intervalo de tempo.
Se considerado os últimos dez anos, a frota da cidade registra alta de 75,26%, passando de 49.089 para os atuais 68.116. Enquanto isso, no mesmo período, o aumento da população foi de 10%, com 88.089 habitantes em 2016, e 97.835 em julho do ano passado, segundo estimativa do IBGE, que será atualizada ao final deste mês.