Há uma pergunta que, de tempos em tempos, bate à nossa porta sem pedir licença. Ela chega depois de um relacionamento que acabou, de uma amizade que se desfez, de um emprego que ficou para trás, de um sonho que simplesmente não aconteceu ou de um jogo do Brasil na copa do mundo.
Por que perdemos? A primeira resposta costuma ser amarga. Achamos que perdemos porque não fomos suficientes. Porque alguém foi melhor. Porque a vida resolveu ser injusta justamente conosco. Mas o tempo, esse professor que não aceita reclamações, ensina outra lição.
Nem toda perda é um fracasso. Algumas são apenas o encerramento de um ciclo que já não cabia dentro de nós. Há pessoas que confundem permanência com amor. Acham que amar é segurar. Que vencer é nunca deixar partir. No entanto, a própria natureza nos ensina o contrário. As árvores perdem as folhas para continuar vivas. Os rios deixam para trás a água que nunca mais verão. O sol perde todas as tardes para nascer novamente na manhã seguinte.
Sei que posso parecer triste nesta semana, caro leitor, mas garanto: não é o caso! Eu já entendi que perder faz parte da arquitetura da vida. Perdemos brinquedos para ganhar lembranças. Perdemos a infância para descobrir a juventude. Perdemos a juventude para compreender a maturidade. E, se tivermos sorte, perderemos muitas certezas para conquistar alguma sabedoria.
O problema não está na perda. Está na insistência de acreditar que tudo o que desejamos merece permanecer. Nem tudo o que vai embora nos fazia bem. Há portas que se fecham para impedir que continuemos vivendo em cômodos apertados. Há despedidas que nos salvam de histórias que já haviam terminado muito antes do adeus. Há silêncios que protegem mais do que certas palavras.
Talvez a maior derrota não seja perder alguém ou alguma coisa. A verdadeira derrota acontece quando perdemos a capacidade de recomeçar. Quando deixamos de acreditar. Quando desistimos de confiar. Quando permitimos que uma única decepção transforme todas as pessoas em culpadas.
A vida nunca prometeu que seria feita apenas de conquistas. Ela prometeu movimento e quem caminha inevitavelmente deixa pegadas para trás. No fim das contas, talvez descubramos que aquilo que chamávamos de perda era apenas a vida abrindo espaço para aquilo que ainda não conhecíamos.
Por fim, nem tudo que a gente perde foi tirado. Às vezes, foi apenas a vida nos devolvendo a oportunidade de encontrar quem realmente somos.
Luís Alberto de Moraes – @luis.alb – Autor do livro “Costurando o Tempo – dos Caminhos que Passei”