Perdão!

“Perdoar é libertar um prisioneiro e descobrir que o prisioneiro era você.” (Lewis B. Smedes)

Em meio às experiências da vida, todos nós, em algum momento, carregamos marcas deixadas por palavras, atitudes ou situações que ferem. O problema não está apenas no que aconteceu, mas no que se faz com isso ao longo do tempo. O perdão aparece, então, como uma força capaz de mudar o foco das experiências negativas e abrir espaço para emoções mais saudáveis, contribuindo diretamente para a qualidade de vida e o bem-estar.

Quando se guarda ressentimento, mágoa ou ódio, cria-se um ciclo interno de sofrimento. A mente revive constantemente aquilo que feriu, como se mantivesse a dor ativa.

Esse processo não afeta apenas o emocional, mas também o corpo. Já se observa que estados prolongados de tensão, raiva e amargura podem impactar a saúde física, contribuindo para o adoecimento. É como se a pessoa “implodisse”, carregando dentro de si aquilo que não consegue liberar. Já pensou nisso?

Perdoar, no entanto, não é um ato simples. Não significa concordar com o erro do outro, nem apagar o que aconteceu. Também não se trata de isentar alguém de responsabilidade. O perdão é, antes de tudo, uma decisão interna: a escolha de não continuar preso à dor, a raiva ou ao ressentimento, como reflete Hannah Arendt: o perdão tem o poder de interromper ciclos, permitindo que algo novo possa surgir onde antes havia apenas repetição do sofrimento.

Ao mudar o foco, o perdão permite que a pessoa deixe de ser definida pela ferida. Ele abre espaço para outras emoções, como leveza, paz e até crescimento pessoal. Isso não acontece de forma imediata, mas é um processo que se constrói aos poucos, muitas vezes começando com a disposição de tentar.

Além disso, o perdão também é um gesto consigo mesmo. É um movimento de autocuidado, de não permitir que o passado continue ocupando o presente. Como dizia Nelson Mandela, “guardar ressentimento é como tomar veneno e esperar que o outro morra”. Ao perdoar, quem mais se liberta é quem decide seguir em frente.

Na prática, esse caminho pode começar com pequenos passos: reconhecer a dor sem negá-la, compreender que todos estão sujeitos a falhas, e, principalmente, decidir não alimentar continuamente aquilo que causa sofrimento. Não é esquecer, mas ressignificar.

Reflexão – O perdão não muda o passado, mas transforma a relação com ele. E, ao fazer isso, muda também a forma de viver o presente. Quantas dores ainda são carregadas que já poderiam ter sido deixadas para trás? Talvez perdoar não seja sobre o outro, talvez seja, antes de tudo, sobre permitir-se viver com mais leveza, cuidado e aceitação.

 

Raphael Blanes: Servidor Público Municipal, formado em Filosofia, Gestão em Saúde Pública, Técnico em Vigilância em Saúde com ênfase no Combate às Endemias, Gestão Hospitalar, Saúde Única (One Health), RH e Desenvolvimento de Equipes e graduando em Psicologia. Instagram: @raphaelblanes – Email: blanes.med@gmail.com.

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