Mercado de trabalho perde força e cria apenas 26 vagas em seis meses no município

O mercado de trabalho formal de Mairiporã apresentou forte desaceleração no primeiro semestre deste ano. Dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho e Emprego, mostram que entre janeiro e junho de 2026 foram registradas 4.998 admissões e 4.972 desligamentos, resultando em saldo positivo de apenas 26 vagas com carteira assinada.

No mesmo período de 2025, o município havia contabilizado 6.020 contratações e 5.695 demissões, encerrando os seis primeiros meses com saldo de 325 empregos formais. Na comparação entre os dois períodos, a redução foi de aproximadamente 92%, evidenciando a perda de dinamismo do mercado de trabalho local.

A indústria foi o principal destaque positivo neste ano, responsável pela criação de 150 postos de trabalho, superando inclusive o desempenho registrado no primeiro semestre de 2025, quando havia gerado 117 vagas. A agropecuária também apresentou resultado positivo, ainda que modesto, com saldo de uma vaga.

Por outro lado, alguns segmentos apresentaram desempenho inferior ao do ano passado. A Construção Civil, que havia criado 42 empregos no primeiro semestre de 2025, encerrou os seis primeiros meses deste ano com fechamento de sete vagas. O setor de Serviços, tradicionalmente um dos maiores empregadores do município, reduziu significativamente sua contribuição, passando de saldo positivo de 91 vagas para apenas 17.

O pior resultado ficou com o Comércio. Depois de gerar 78 empregos entre janeiro e junho do ano passado, o setor registrou saldo negativo de 135 vagas no mesmo período de 2026, tornando-se o principal responsável pelo fraco desempenho do mercado formal de trabalho no município.

O cenário também se deteriorou no mês de junho. Isoladamente, o município fechou 127 postos de trabalho com carteira assinada, contribuindo para reduzir praticamente a zero o saldo acumulado do semestre.

Os números do Caged revelam que, apesar de Mairiporã ainda manter saldo positivo de empregos formais, o mercado de trabalho perdeu força em 2026. A dependência do bom desempenho da indústria para sustentar o resultado geral contrasta com a retração observada no comércio, na construção civil e, em menor intensidade, nos serviços. Se essa tendência persistir no segundo semestre, o município poderá encerrar o ano com um dos piores desempenhos recentes na geração de empregos formais, refletindo um ambiente econômico mais cauteloso e menor capacidade de absorção de mão de obra pelas empresas. (Cláudio Cipriani/CJ – Foto: Pixabay)